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Sonangol, a menina dos olhos de Angola e palco central no Luanda Leaks

Bomba de gasolina da Sonangol João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Fundada ainda durante a ocupação portuguesa, a Sonangol representa uma parte fundamental da economia angolana.

A importância do papel da Sonangol no Luanda Leaks só encontra paralelo na relevância que tem na economia angolana. A empresa da qual Isabel dos Santos já foi presidente - e da qual terá desviado 100 milhões de euros - atua num setor fundamental para o país.

Há meses, o banco central angolano fazia as contas: o setor petrolífero representa mais de 95% das exportações totais e 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números relevam a dependência de Luanda do ouro negro e, avisava o supervisor, tornam a economia vulnerável a choques externos face à volatilidade do preço do petróleo.

Em 2018, a Sonangol teve um resultado líquido próximo de 150 milhões de euros; no ano anterior conseguiu três vezes menos. São números modestos quando comparados com o lucro de 2.785 milhões de euros de 2013 ou 2.000 milhões em 2012 e explicam-se com a queda abrupta do preço do barril de petróleo, verificada a partir de 2014. Para se ter uma ideia de comparação, nos últimos anos o melhor resultado da EDP, uma das maiores empresas portuguesas, foi de pouco mais de 1.100 milhões de euros. Sendo que o PIB português atinge cerca do dobro do angolano.

A Sonangol foi fundada em 1953, ainda durante a ocupação portuguesa, com o estatuto de subsidiária da lusa SACOR.

Com a independência em 1975, a companhia foi nacionalizada e rebatizada para o nome que hoje tem.

O nome da empresa aparece com frequência ligado a operações alegadamente obscuras e a acusações de corrupção. Em 2011, por exemplo, a Human Rights Watch acusou o governo angolano de ter feito desaparecer dos cofres do Estado perto de 30 mil milhões de euros de receitas de petróleo.

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Hugo Neutel