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Enfermeira detida na Guiné Equatorial por comentar falhas de hospital

Uma enfermeira foi detida na Guiné Equatorial por apontar falhas existentes no hospital Kim Ludbrook/EPA

Ministério público pediu a prisão preventiva de Nuria Obono Ndong Andem pela "autoria do delito de violação de segredo".

Uma enfermeira foi detida na Guiné Equatorial e acusada de "violação de segredo" por ter dito que faltava oxigénio no hospital onde são tratados os doentes com Covid-19, segundo fontes citadas pela Agência France Presse.

De acordo com a ordem do tribunal, o ministério público pediu a prisão preventiva de Nuria Obono Ndong Andem pela "autoria do delito de violação de segredo".

Em causa está uma mensagem de áudio enviada através do serviço de mensagens WhatsApp a uma amiga, na qual a enfermeira apontava falhas existentes no hospital.

"O hospital Sampaka, cuja capacidade de tratar doentes de coronavírus é ostentada na televisão nacional, não tem oxigénio para os doentes de Covid-19", terá afirmado a enfermeira.

A mensagem começou a circular, na quarta-feira, nas redes sociais e a enfermeira foi convocada no próprio dia pelo ministro da Saúde, Salomon Nguema Owono, que apresentou queixa judicial contra ela.

A cadeia de televisão nacional, TVGE, difundiu, entretanto, um desmentido das autoridades de saúde, mostrando tanques de oxigénio.

"Temos mais de 80 tanques de oxigénio e uma empresa norte-americana garantiu que nos oferecerá oxigénio sempre que seja necessário", disse um alto funcionário do ministério da Saúde.

A detenção a enfermeira foi criticada pelo partido Convergência para a Demococracia Social (CPDS), na oposição, que exigiu, em comunicado, a libertação imediata da enfermeira, alegando que "uma cuidadora, neste momento, é mais importante que a fúria do ministro".

O CPDS entende que o comentário foi feito na esfera privada e que não há, por isso, lugar a que seja sancionada.

"A liberdade de expressão é garantida pela Constituição", argumentou, por seu lado, o grupo Cidadãos pela Inovação, partido da oposição dissolvido pelas autoridades em fevereiro de 2018.

O movimento pró-democracia e direitos do homem SOMOS+ lançou uma campanha a reivindicar a libertação da enfermeira sob o lema "Je suis Nuria Obono Ndong".

As autoridades da Guiné Equatorial declararam a existência de 79 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, sem registo de mortes.

O Governo decretou, entre outras medidas de combate à doença, o isolamento entre a parte continental e a parte insular do país.

Lusa