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Equipa de Navalny quer levar opositor russo para Berlim. Tribunal dos Direitos Humanos vai pronunciar-se

Dimitar Dilkoff/AFP

A equipa de Navalny suspeita que o opositor de Vladimir Putin tenha sido vítima de "envenenamento intencional".

A equipa do opositor russo Alexei Navalny, hospitalizado em estado grave na Sibéria, recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para conseguir autorização da Rússia para o transferir para a Alemanha, anunciou esta sexta-feira fonte do tribunal.

"É pedido que o Tribunal convide o Governo russo a autorizar Navalny a ser transportado para a Alemanha para tratamento", disse a fonte, citada pela agência France-Presse (AFP), precisando que o caso "vai ser analisado nos próximos dias".

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, braço jurídico do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo (França), foi chamado a pronunciar-se ao abrigo do artigo 39.º do seu regulamento, que lhe permite tomar medidas de emergência quando a integridade física de um requerente esteja ameaçada.

Alexei Navalny está desde quinta-feira internado numa unidade de cuidados intensivos, em coma e ligado a um ventilador, num hospital de Omsk, na Sibéria ocidental.

O líder da oposição russa sentiu-se mal durante um voo entre Tomsk, na Sibéria, e Moscovo, e, tendo perdido a consciência, o avião fez uma aterragem de emergência em Omsk.

A equipa de Navalny suspeita que tenha sido vítima de um "envenenamento intencional" com algo que terá sido misturado num chá que bebeu no aeroporto de Tomsk.

A organização não-governamental (ONG) alemã "Cinema for Peace" fretou um avião-ambulância, onde seguiu uma equipa de médicos especializados no tratamento de doentes em coma, que aterrou hoje de manhã em Omsk, mas a transferência de Navalny para a Alemanha tem sido recusada pelos médicos russos, que consideram o seu estado "instável".

O Kremlin assegurou hoje que se trata de uma decisão "puramente médica" e que os médicos russos estão a fazer "todos os possíveis para determinar a causa do problema e para o tratar".

A mulher do opositor pediu ao Presidente russo, Vladimir Putin, que autorize a transferência do marido para a Alemanha.

Lusa/TSF