Política

Crise política? "PCP não faltará a nenhuma solução. Dimensão dos problemas exige outra resposta"

António Cotrim/Lusa

Em cumprimento das normas sanitárias, Jerónimo de Sousa encerrou a Festa do Avante! mais polémica dos últimos anos.

No encerramento da Festa do Avante! mais polémica de sempre, a crise provocada pela pandemia de Covid-19 foi tema central no habitual discurso de Jerónimo de Sousa na Quinta da Atalaia. O secretário-geral do PCP falou durante 45 minutos, perante uma plateia cheia, a cumprir as regras sanitárias, e deixou vários avisos ao Governo.

"A dimensão dos problemas exige outra resposta. O PCP está à altura das suas responsabilidades, do seu papel e dos seus compromissos com os interesses dos trabalhadores e do povo. Não vale a pena uns virem agitar com ameaças de crise política. O que se impõe é aproveitar todos os instrumentos para não permitir que os trabalhadores e o povo vejam a sua vida mergulhada numa crise diária", disse o líder comunista, numa resposta a António Costa que tinha deixado uma ameaça à esquerda devido à necessidade de negociações para o Orçamento do Estado.

"Como não vale a pena apressarem-se, outros, a sentenciar que o PCP não conta, que está de fora das soluções de que o País precisa", acrescentou, frisando que "se há prova que o PCP já fez é que conta, conta muito e decisivamente, como nenhum outro, para assegurar avanços no interesse das classes e camadas populares".

"O PCP não faltará, como nunca faltou, a nenhuma solução que dê resposta aos problemas, não desperdiçará nenhuma oportunidade para garantir direitos e melhores condições de vida", reiterou.

Num longo discurso fortemente aplaudido, Jerónimo de Sousa não se esqueceu de lançar críticas a PS e PSD (e também a Marcelo).

"De pouco valem declarações do PS de que não quer nada com o PSD se as opções que vier a adotar forem, mais coisa menos coisa, aquelas que o PSD adotaria, sem romper com orientações e compromissos que têm sustentado a política de direita", apontou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa justificou-se e continuou: "Tanto mais quando se continuam a registar em matérias relevantes convergências entre os dois partidos, parte de um processo de rearrumação de forças posto em marcha, e em que o atual Presidente da República se insere, para branquear o PSD visando a sua reabilitação política e a cooperação mais intensa com o PS, indispensáveis à política de direita."

A pandemia de Covid-19 trouxe uma nova crise económica e social, mas não é responsável por tudo o que tem ocorrido, lamentou o secretário-geral comunista, que pediu a manutenção dos direitos dos trabalhadores mesmo durante os tempos "sombrios".

"A pandemia de Covid-19 veio acelerar a nova crise económica há muito anunciada, que põe a nu as enormes e inaceitáveis injustiças e desigualdades sociais que marcam a realidade de milhões de seres humanos", alertou, esclarecendo que "o grande capital procura usar a actual situação para impor uma ainda mais violenta exploração dos trabalhadores, mais graves ataques aos direitos, às liberdades, à democracia, à soberania e independência dos Estados, uma maior apropriação privada dos recursos da natureza".

Como tal, o PCP garante que vai continuar a "lutar pela eliminação dos cortes salariais associados ao lay-off, pela proibição dos despedimentos de todos os que vêm ameaçado o seu emprego e não apenas nas empresas com lucros", disse.

Para fazer face à crise, o PCP insiste ainda que é preciso combater, além dos projetos unilaterais do PS, os extremismos mais à direita.

"Não há solução para os problemas nacionais nem resposta aos interesses dos trabalhadores e do povo com as opções do Governo PS nem com os projetos reacionários que PSD, CDS e os partidos seus sucedâneos - Iniciativa Liberal e Chega - a que é preciso dar combate."

Guilherme de Sousa e Inês André Figueiredo