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America Countdown... 29 dias. Território desconhecido

AFP

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - TERRITÓRIO DESCONHECIDO. Vai Trump continuar em condições de exercer a presidência? Vai voltar à campanha? É a primeira vez que vemos Trump numa posição de fragilidade pessoal: poderá alguém com o perfil "bully" dele conseguir gerar compaixão fora da sua tribo? Não sabemos a evolução da doença: se recuperar em duas semanas, debate de dia 15 em risco, provavelmente anulado, mas ainda poderá voltar ao terreno de campanha. Até pode fazer "regresso em grande" e com isso gerar dinâmica otimista. Mas a carga simbólica de ver Trump infetado com aquilo que negou e desvalorizou é tremenda: Trump é agora "um símbolo do seu próprio falhanço". Enquanto isso, Obama deseja-lhe as melhoras e segue a via da mulher Michelle do "when they go low we go high": "Apesar das tensões políticas, somos todos americanos e somos todos humanos". E houve aquele momento bizarro: o de ver Kim Jong-Un desejar as melhoras ao Presidente dos EUA. Biden fica outra vez fora de cena: a emoção está no auge com a dúvida sobre como vai a doença de Trump evoluir. O momento atual volta a pôr Trump a monopolizar atenções e emoções. Impostos, economia, nomeação do Supremo, cumplicidade Trump com movimentos supremacistas brancos... tudo isso ficará abafado. Mas não será bom para Trump que a pandemia volte a ser o ponto dominante. Suprema ironia: afinal o tema não é a saúde de Biden mas de Trump.

2 - ECONOMIA A DESACELERAR RECUPERAÇÃO. A Economia americana criou 660 mil empregos em setembro: é pouco, esperavam-se pelo menos 800 mil; mostra desaceleração no ritmo da recuperação, depois do que se perdeu em março e abril. Maio criou 2,5 milhões; junho 4,8 milhões; julho 1,4 milhões; agosto 1,1 milhão; agora 660 mil em setembro. Em cinco meses foram criados 10,8 milhões de empregos, mas isso é só ainda um terço do que se perdeu entre março e abril.

UMA INTERROGAÇÃO: Quantos novos empregos serão criados até 3 de novembro?

UMA SONDAGEM: Biden 47-Trump 40 (The Hill/HarrisX, 29 set/1 out)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

Germano Almeida*