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America Countdown... 6 dias. Donald e o caos

AFP

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - DONALD E O CAOS. Atrás nas sondagens, a ver o tempo a esgotar-se, Donald Trump está a fazer de Donald Trump: culpa os media, insulta o adversário, declara vitória mesmo quando está a perder. Nunca pede desculpa, mesmo quando fica claro que geriu de forma péssima a pandemia. Vê otimismo no meio do caos, culpa "as pessoas negativas", diz que sabe mais que Fauci sobre o novo coronavírus - na sua velha tática de proclamar que confia mais "no seu instinto" do que "nos peritos que puseram isto numa confusão". Em toda a sua vida Donald Trump foi assim. Por vezes isso deu certo nos negócios ("só tendo um grande ego posso ser bem-sucedido"), noutras deu dramaticamente mal (como nos casinos de Atlantic City). A noção de que "má publicidade" é boa publicidade resultou nos anos de empresário ricaço de Nova Iorque. O instinto egoísta e "matador" de Donald já lhe valeu vitórias e triunfos inesperados: o maior de todos foi, obviamente, nas presidenciais de novembro de 2016. Mas, desta vez, Trump está a fazer a campanha que gosta mas não a que neste momento precisava. Falta-lhe empatia para renonectar com as "suburban housewives" que se sentem desprotegidas pelas perdas económicas e pelas famílias destruídas pela pandemia. Falta-lhe a capacidade de pedir desculpa. Isso ele nunca fez. Prosperar no caos não dura para sempre. Ou dura?

2 - O CANDIDATO DOS FACTÓIDES. Donald Trump abandona de forma abrupta entrevista à experiente e respeitada jornalista Lesley Stahl, no "60 Minutes", da CBS. Donald Trump diz que Joe Biden é um dorminhoco e que cai no ridículo com as distâncias de segurança que prevê nos comícios, onde "não tem quase ninguém". Donald Trump diz que o adversário é "criminoso e corrupto" (a adversária de há quatro anos também era, dizia ele). O candidato republicano, Presidente incumbente a tentar a reeleição, nega os factos mas cria factóides. É o candidato dos factóides. Está atrás mas, sem narrativa de argumentação persuasiva, explora a narrativa do caos, da confusão. Não passa disso. Mesmo que ganhe, não passa mesmo disso.

UMA INTERROGAÇÃO: O que terá mais relevância no julgamento do eleitorado: os factos ou os factóides?

OS PRESIDENTES DOS EUA ENTRE 1929 E 1963

31 - Herbert Hoover (1929-1933) Vice-Presidente: Charles Curtis

Partido: Republicano

Foi Secretário do Comércio antes de chegar à Casa Branca. Presidente em tempos de Grande Depressão, não resistiu nas urnas e falhou a reeleição em 32 para o democrata Franklin Roosevelt.

32 - Franklin D. Roosevelt (1933-1945) Vice-Presidentes: John Garner, Henry Wallace e Harry Truman

Partido: Democrático

Para muitos o mais bem-sucedido Presidente dos EUA da história. Eleito em plena Grande Depressão, travou a reeleição do republicano Hoover com a proposta New Deal, um "contrato com os americanos" de relançamento da Economia com uma política keynesiana de obras públicas para criar emprego. Único Presidente a ser eleito quatro vezes, liderou os EUA na II Grande Guerra Mundial e ainda negociou a paz com Estaline e Churchill em Yalta, antes de morrer em Warm Springs, Geórgia, a 12 de abril de 1945, aos 63 anos, com uma grande hemorragia intracerebral, depois de anos a lutar contra a poliemielite.

33 - Harry Truman (1945-1953) Vice-Presidente: Alben Barkley

Partido: Democrático

Tomou posse após a morte de FDR e implementou o Plano Marshall, que operou a Reconstrução da Europa, depois da II Guerra Mundial. Estabeleceu a "Doutrina Truman", de contenção da URSS durante a Guerra Fria.

34 - Dwight Eisenhower (1953-1961) Vice-Presidente: Richard Nixon

Partido: Republicano

General de cinco estrelas, Comandante Supremo das forças aliadas na II Guerra Mundial, planeou a Operação Torch, no norte de África, em 1942 e 1943 e a invasão da Normandia (44-45) pela frente Oeste. Concorreu à nomeação republicana de 1952 para travar a via isolacionista de Robert Taft. Promoveu o envolvimento dos EUA na NATO. Foi eleito por duas vezes com grande apoio popular.

35 - John F. Kennedy (1961-1963) Vice-Presidente: Lyndon Johnson

Partido: Democrático

Primeiro presidente católico e segundo mais jovem, foi eleito aos 43 anos. Congressista em Boston aos 27, senador pelo Massachussets aos 35, filho de antigo embaixador americano em Londres, JFK formou-se em Harvard e juntou-se à Marinha na II Guerra Mundial. Apontou o caminho da Luz, geriu a crise da Baía dos Porcos. Foi assassinado em Dallas a 22 de novembro de 1963, num dos momentos mais traumáticos da História presidencial americana.

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

Germano Almeida*