Sociedade

Seguranças sabiam da morte de Ihor Homeniuk? "É mau para a classe de vigilância"

Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Em declarações à TSF, o presidente da ANVSP apela, no entanto, a que não se confunda o desempanho da função com casos isolados.

A Associação Nacional de Vigilância e Segurança Privada (ANVSP) considera que o possível envolvimento de vigilantes na morte de Ihor Homeniuk deixa uma má imagem do setor. Os vigilantes terão tido conhecimento do alegado espancamento por inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

O presidente da associação, Claúdio Ferreira, garante à TSF que só sabe do que se passou no Aeroporto de Lisboa pelo que tem sido noticiado. O presidente da associação sublinha que tem de ser feita uma reflexão para garantir que os vigilantes não desempenham funções para as quais não têm competência.

"É mau para a classe de vigilância e muito mau para os colegas envolvidos. Para o futuro, é necessário explicar aos vigilantes que não têm de fazer nada que não seja da sua competência, mesmo que sejam ameaçados. Não podemos fazer ocultação de factos, é a nossa obrigação e temos de responder por isso," diz.

Cláudio Ferreira pede, no entanto, que não se confunda "a maçã com o pomar".

A ANVSP já chegou a ter 700 associados, mas agora são apenas 50 que têm as cotas em dia. Mesmo assim, a associação que habitualmente presta apoio e aconselhamento jurídico, está agora empenhada em ajudar os vigilantes que perderam o emprego e estão sem trabalho por causa da pandemia.

"Ontem à noite tive uma colega que me ligou a dar os parabéns pela iniciativa. Depois começou a chorar, disse que estava com vergonha, e percebi logo. Está com algumas rendas em atraso e vai ter de entregar a casa no final do mês. Vamos dar-lhe alguns cabazes e tentar angariar dinheiro para pagar as contas em atraso", diz.

Cláudio Ferreira explica à TSF que este é apenas um entre muitos casos que se escondem com vergonha. A associação está a recolher alimentos para entregar cem cabazes na próxima semana.

"Vão ter cerca de 40 a 50 euros em produtos. São bens de primeira necessidade e a pensar também na época natalícia."

As dificuldades começaram há dez meses quando a pandemia encerrou bares, discotecas e recintos desportivos onde os profissionais de seguranças prestavam serviços.

Gabriela Batista com Francisco Nascimento