Sociedade

Centenas de carros perto do Cemitério de Queluz para assinalar funeral de Marcelino da Mata

Marcelino da Mata Gerardo Santos

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, marcaram presença no funeral o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Nunes da Fonseca, representantes da associação de comandos e ex-militares, muitos usando a boina vermelha dos comandos.

Há centenas de carros estacionados à volta do cemitério de Queluz, onde se realiza o Funeral de Marcelino da Mata, o militar do Exército mais condecorado da guerra do ultramar.

Devido à pandemia, registaram-se condicionamentos no acesso à cerimónia, com a PSP a marcar presença no local para, como confirmou à TSF, sensibilizar as pessoas para a necessidade de recolherem ao domicílio e de, no local, usarem máscara e cumprirem o distanciamento social.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e o chefe do Estado-Maior do Exército marcaram presença no funeral do tenente-coronel, que morreu na passada quinta-feira.

Marcelino da Mata morreu na quinta-feira, no Hospital Amadora-Sintra, aos 80 anos, com Covid-19, e o funeral realizou-se esta segunda-feira no cemitério de Queluz, com uma breve cerimónia religiosa celebrada pelo bispo das Forças Armadas, Rui Valério, e pelo capelão do regimento de comandos, alferes Ricardo Barbosa.

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, marcaram presença no funeral o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Nunes da Fonseca, representantes da associação de comandos, ex-militares, muitos usando a boina vermelha dos comandos, força de elite da qual Marcelino da Mata foi um dos fundadores, e ex-paraquedistas.

Na cerimónia, transmitida em direto no Facebook pela página designada "Regimento de Comandos da Amadora", de iniciativa privada, cumpriu-se um minuto de silêncio, os ex-militares gritaram "mama sumae" (o grito dos comandos) e aplaudiram a entrada do carro funerário no cemitério, com a urna coberta pela bandeira nacional, um direito concedido aos ex-combatentes, segundo a porta-voz do Exército.

Natural da Guiné-Bissau, Marcelino da Mata foi um dos fundadores da tropa de elite "Comandos". Entre as mais de duas mil missões de combate em que participou na Guerra Colonial contam-se as emblemáticas Operação Tridente, o resgate de mais de uma centena de militares lusos no Senegal e a Operação Mar Verde.

Após a Revolução do 25 de Abril e do fim da Guerra Colonial foi proibido de voltar ao país de origem, e exilou-se em Espanha, até ao 25 de Novembro de 1975 (que terminou com o Processo Revolucionário Em Curso).

Foi o militar mais condecorado de sempre do Exército, segundo o ramo. Em 1969, foi armado cavaleiro da "Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito", após ter subido sucessivamente de patente, desde soldado a major.

Marcelino Mata reformou-se em 1980 e foi ainda promovido a tenente-coronel em 1994. Foi ainda responsável pela segurança da Universidade Moderna, encerrada compulsivamente pelo Governo do socialista José Sócrates, assim como a cooperativa Dinensino, por falta de viabilidade económico-financeira, após vários escândalos e processos judiciais.

*notícia atualizada às 21h33

TSF e Lusa