Sociedade

Rastreios na construção civil prometidos há mais de um mês nunca avançaram

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António Costa voltou, agora, a identificar o setor como um dos responsáveis por surtos recentes de Covid-19.

Mais de um mês depois da promessa do Governo de avançar com rastreios à Covid-19 na construção civil, a associação que representa o setor garante que nada foi feito.

O presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS) recorda que na altura tentaram falar com o Governo e com as autoridades de saúde para perceber como é que os testes iriam funcionar e onde seriam feitos.

Ricardo Pedrosa Gomes explica, contudo, à TSF, que as respostas foram nulas: "Até à data não obtivemos nenhuma resposta".

"É evidente que as empresas de maior dimensão, elas próprias, porque já o vinham fazendo, criaram sistemas próprios para testarem ciclicamente nos estaleiros de grande dimensão, mas nos estaleiros de menor dimensão e nas empresas com menos estrutura a situação não terá tido nenhuma concretização", refere o representante do setor.

Ricardo Pedrosa Gomes acrescenta que tendo em conta que foram as próprias autoridades de saúde e o Governo a dizer que estes testes faziam sentido no setor, à partida deveriam fazer realmente falta.

Recorde-se que esta terça-feira o primeiro-ministro identificou as grandes obras públicas como um dos focos da doença em alguns dos concelhos acima da linha vermelha indicada pelas autoridades de saúde e em risco de não desconfinar.

Também o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal afirma que continua à espera que o processo de testagem avance."Não recebemos ainda nenhuma informação sobre como, e quando, iam começar as testagens nas empresas", diz à TSF Mário Jorge Machado.

Mário Jorge Machado sublinha que as empresas adotaram medidas de higiene e segurança, mas considera que só "uma testagem muito abrangente" pode ajudar a travar o surgimento de novos surtos.

"Sabendo nós que o vírus se transmite com facilidade e que às vezes as pessoas, num ato inadvertido, facilitam num ponto ou noutro o afastamento", nota. Faz sentido, por isso, testar todos e empresa e contactos próximos, quando detetado um primeiro contágio, defende.

O setor têxtil emprega cerca de 125 mil pessoas em Portugal.

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Nuno Guedes com Rute Fonseca