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Polícia guineense interrompe reunião do PAIGC com recurso a gás lacrimogéneo

Leonel de Castro/Global Imagens

O partido considera o caso uma estratégia dos adversários políticos para impedir a realização do congresso.

A polícia guineense lançou granadas de gás lacrimogéneo na sede do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e dispersou participantes da reunião do Comité Central, disseram à Lusa fontes do partido.

"A polícia disparou várias granadas de gás lacrimogéneo em pleno salão Amílcar Cabral, onde decorria o Comité Central", disse uma fonte que ainda se encontra dentro da sede do partido, situado a escassos metros do Palácio da Presidência da Guiné-Bissau.

O PAIGC prepara-se para iniciar o seu 10.º congresso no sábado, no meio de uma polémica judicial com um militante que pediu ao tribunal a suspensão da reunião magna, alegando ter sido injustamente impedido de participar.

O partido considera o caso uma estratégia dos adversários políticos para impedir a realização do congresso.

Uma outra fonte explicou à Lusa que o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, ainda se encontra na sede do partido, tendo ao seu lado vários dirigentes e militantes forçados a abandonar o salão Amílcar Cabral devido à ação do gás lacrimogéneo.

Fonte da administração da sede do partido admitiu que "alguns camaradas" poderiam ter-se ferido na tentativa de fuga do salão Amílcar Cabral, no primeiro piso do edifício, ao terem-se atirado para o pátio.

"Vi sangue na sede, pode ser que alguns camaradas se tenham ferido", observou a fonte.

A polícia já não se encontra dentro da sede, mas permanece, com um forte dispositivo, nas imediações do edifício de onde paulatinamente vão saindo os militantes do partido, constatou a Lusa.

Por volta das 20:00 de Bissau, um contingente da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) chegou à sede do PAIGC e de imediato deram-se cenas de empurrões com um grupo de militantes do partido que tentava impedir que entrasse no edifício.

Fonte do Ministério do Interior indicou à Lusa que a PIR está na sede do PAIGC "para fazer cumprir a lei", na sequência de uma solicitação do juiz Lassana Camará, que produziu um despacho no qual manda suspender a realização do congresso do partido.

Lusa