Sociedade

Autarca de Faro: "Não é admissível encerramento das urgências"

Hospital de Faro Gerardo Santos / Global Imagens

Por falta de médicos, o serviço de urgência de pediatria do Hospital de Faro vai encerrar até à manhã do próximo domingo.

"Que esta situação acontecesse pontualmente de 5 em 5 anos, ainda era admissível", afirma o presidente da câmara de Faro. Mas, segundo Rogério Bacalhau, o que se passa no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) é uma situação recorrente.

"Numa semana não há um serviço, na outra não há outro, e isto não tem uma solução à vista, ninguém sabe como se resolve", adianta. A altura em que acontece a situação, em plena época alta, com o Algarve cheio de turistas, também merece críticas do autarca da capital algarvia. Isto acontece "quando a afluência de pessoas é maior e o risco de termos pessoas a precisarem de cuidados é muito superior, por isso não é admissível", enfatiza.

Rogério Bacalhau critica a falta de planeamento. "Vê-se que não há organização nenhuma, não há planeamento, as coisas voltam a acontecer e os decisores hoje não conseguem planear, nem resolver os problemas que cada vez se dão com maior frequência", adianta.

O autarca considera também que a autonomia dos hospitais, preconizada pelo Ministério da Saúde não irá resolver a situação.

A falta de médicos pediatras levou a que a administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve decidisse encerrar a urgência de pediatria até à manhã do próximo domingo, dia 10 de julho. A falta de médicos desta especialidade já obrigou por diversas vezes a encerrar o bloco de partos e a urgência de obstetrícia .

Na sua página de Facebook Horácio Guerreiro, diretor clínico do CHUA, alertou na quinta-feira à noite para esta situação e deixou uma crítica implícita, dizendo que "apesar de todos os esforços e do apelo às entidades superiores, (leia-se Ministério da Saúde) não foi possível reunir médicos suficientes".

"Batemos a todas as portas", sublinhou Horácio Guerreiro, adiantando que a administração assume as próprias responsabilidades e pede "humildemente" desculpa aos utentes.

Maria Augusta Casaca