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Viver a guerra à distância: "Nunca pensei que durasse seis meses"

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Ol'ha Brosko, ucraniana a viver em Portugal há 20 anos, espera que o conflito acabe em breve e confia na resistência dos soldados ucranianos.

Foi uma das refugiadas da chamada primeira vaga de ucranianos que, no princípio deste século, deixaram o país para procurar uma vida melhor. Ol'ha (Olga, para simplificar, a pedido da própria) vive em Portugal há 20 anos, já tem nacionalidade portuguesa e está a viver a guerra à distância.

Nos primeiros dias, chorava sem parar, tentava saber dos pais, dos familiares e dos amigos e seguia, através do telefone, todas as notícias que vinham da Ucrânia. A prioridade foi retirar os pais da terra natal e trazê-los para Famalicão, onde vive.

Durante dias a fio, no primeiro mês de guerra, foi acompanhando a viagem dos pais. "Só para fazer 28 quilómetros, no final, demoraram quatro dias. Viram crianças a morrer de frio, havia filas de gente a sair da Ucrânia, muita gente a pé."

Olga só voltou a dormir uma noite seguida quando os pais chegaram a Portugal. "A minha mãe até gosta de cá estar, mas o meu pai está sempre com a ideia de voltar à Ucrânia, diz que é a terra dele, é lá que quer estar e é lá que quer morrer. É compreensível."

Já a sobrinha, que chegou entretanto e que já conseguiu trabalho, também espera por uma "oportunidade para voltar. Só não se sabe quando será".

Olga diz que nunca esperou que a guerra "durasse seis meses". Acredita no esforço e na vitória dos soldados ucranianos, recorda que o seu país está mesmo "no centro da Europa" e que, desde sempre, se sentiu "ucraniana, e não russa".

Apesar de ter nacionalidade portuguesa e de estar bem em Portugal, confessa que "o coração é ucraniano". Será sempre.

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Pedro Cruz