Política

Forças de segurança. PSD pede apuramento de "todas as consequências" das mensagens de ódio

Hugo Soares Rodrigo Antunes/Lusa (arquivo)

Hugo Soares pede que não se confundam os elementos envolvidos com "aquilo que são as forças de segurança".

O PSD apela a que possam "apurar-se todas as consequências" do caso dos agentes da PSP e militares da GNR que fizeram publicações com conteúdo discriminatório e incitador de ódio, mas alerta que não se devem tomar os elementos em questão como representativos de um todo.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do partido, Hugo Soares, assinalou o que tem vindo a público como "manifestamente preocupante" e assinalou ser "absolutamente importante que possam apurar-se todas as consequências".

Os sociais-democratas sustentam que "cabe ao Governo, no plano interno" e dentro dos mecanismos da própria Administração Pública "apurar o que aconteceu", mas cabe também ao poder judicial, "designadamente ao Ministério Público, fazer as investigações que achar por conveniente fazer face ao que são as notícias públicas".

O PSD, realçou também, "tem um grande respeito pelas forças policiais portuguesas, são um garante do cumprimento do Estado de Direito Democrático em Portugal".

Hugo Soares avisou para a necessidade de "não confundir aqueles elementos" que possam ter sido autores de mensagens de ódio "com aquilo que são as forças de segurança do nosso país", elogiando-as no seu todo como "de facto de excelência".

Um consórcio de jornalistas de investigação divulgou uma reportagem de Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo Pena na SIC, no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público, que mostra que as redes sociais são usadas para fazer o que a lei e os regulamentos internos proíbem, com base em mais de três mil publicações de militares da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos.

Na quarta-feira foi divulgado que a Inspeção-Geral da Administração Interna vai abrir um inquérito à veracidade das notícias que referem a publicação, por agentes das forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório e que incitam ao ódio.

Numa nota do gabinete do ministro da Administração Interna é dito que José Luís Carneiro determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) "a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade dos indícios contidos nas notícias de hoje [quarta-feira] sobre a alegada publicação, por agentes das forças de segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra determinadas pessoas".

Gonçalo Teles com Lusa