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Acordo na COP27 revela-se difícil. O que está a faltar?

Ahamd Gharabli/AFP

Francisco Ferreira assinala que a União Europeia está a insistir, "e bem", em inserir no documento final "necessidades de mitigação e de redução de emissões" de gases.

Num momento em que um acordo global para o clima parece cada vez mais difícil de alcançar na Cimeira do Clima (COP27), que decorre no Egipto, e já depois de ter sido indicado que teria havido acordo para um fundo de 97 mil milhões de euros, o presidente da Associação ZERO explica o que está a faltar para a luz verde às onze páginas da declaração final.

A partir de Sharm el-Sheikh, Francisco Ferreira nota que o que está a ser discutido é "como que um seguro" para países "onde seja difícil ter recursos" para responder a catástrofes climáticas como "ondas de calor, cheias ou secas". Estes são acontecimentos que afetam as populações e para a resposta às quais "é necessário financiamento imediato".

Até agora, "aquilo que é dado como um acordo potencial ainda não se confirmou porque a União Europeia ainda não disse que aceitava essa proposta".

Para Francisco Ferreira, embora seja "provável" que tal venha a acontecer, tanto da parte europeia como pelos Estados Unidos, há "todo um conjunto de outros aspetos que são efetivamente cruciais" e que ainda não estão resolvidos.

Entre eles, a insistência da UE em introduzir no documento "necessidades de mitigação e de redução de emissões". Para o ambientalista, esta é uma iniciativa que está a ser "bem" defendida, porque "não podemos recuar em relação à conferência do passado em Glasgow".

A UE está a pressionar no sentido da adoção de uma linguagem formal no acordo que permita a expansão da base de doadores em qualquer novo programa de compensação de perdas e danos e os Estados Unidos disseram também várias vezes que a China deveria contribuir para o financiamento de qualquer programa de compensação de perdas e danos.

O representante chinês, Xie Zhenhua argumentou que o seu país tem prestado apoio a outras nações em desenvolvimento sob a forma de ajuda a sistemas de alerta precoce, projetos de redução de emissões de carbono e desenvolvimento de energias renováveis.

Xie acrescentou que as discussões com o seu homólogo norte-americano, John Kerry, continuarão depois da reunião da COP27: "Acordámos que após esta COP continuaremos as nossas consultas formais", confirmou.

O mecanismo de perdas e danos, que divide os países, é um novo sistema de financiamento que vai além dos 100 mil milhões de dólares por ano, entre 2020 e 2025, estabelecido pelo Acordo de Paris para a mitigação e adaptação dos países desenvolvidos às alterações climáticas.

TSF com Lusa