Sociedade

Câmara de Lisboa avança com candidatura da Baixa Pombalina a Património Mundial da UNESCO

Paulo Alexandrino/Global Imagens (arquivo)

A candidatura que foi formalizada esta sexta-feira, mas o autarca de Santa Maria Maior garante que não sabia de nada.

A Câmara Municipal de Lisboa anunciou esta sexta-feira que vai avançar com a candidatura da Baixa Pombalina como Património Mundial da UNESCO.

"O primeiro passo para atingir esse objetivo será dado com a comunicação, junto da Comissão Nacional da UNESCO, do interesse em que este conjunto monumental seja inscrito na Lista Indicativa de Portugal", explicou o município em comunicado. A candidatura é formalizada esta sexta-feira.

O presidente da autarquia lisboeta justifica a aposta: "Estamos muito empenhados em obter a classificação da Baixa Pombalina como Património da Humanidade. Lisboa é uma cidade única: histórica e inovadora, tradicional e cosmopolita, com uma identidade singular, mas sempre aberta ao mundo."

Para Carlos Moedas, "os seus bens patrimoniais, em particular aqueles que lembram a impressionante capacidade de resposta que o povo português teve ao terramoto de 1755, um dos mais destruidores de sempre, são dotados de um valor universal excecional e merecem ser distinguidos e protegidos".

O município refere que Lisboa é "considerada a primeira cidade moderna do ocidente", tendo influenciado "a criação de outras cidades importantes na Europa e no mundo pela inovadora reconstrução da Baixa Pombalina".

"Além disso, o valor deste bem não estagnou no tempo, mantendo-se um modelo atual, funcional e adaptável a novos usos", afirma a Câmara Municipal de Lisboa.

E explica: "Foi na Baixa Pombalina que a cidade se reergueu após uma catástrofe natural sem precedentes e soube mostrar-se criativa a vários níveis: no planeamento territorial, através do seu traçado de quarteirões e ruas hierarquizadas de dimensões generosas; na geologia e engenharia, pela combinação de solução em aterro da zona baixa da cidade com a aplicação de estruturas antissísmicas, contra incêndios, de saneamento básico e salubridade pública; no desenho padronizado do conjunto arquitetónico que permitiu a estandardização; no respeito aplicado às pré-existências identificáveis em conjunto com as reconstruções necessárias."

A autarquia define como benefícios, oportunidades ao nível da reabilitação, a possibilidade de desenvolver estratégias coerentes de reabilitação que integrem incentivos e benefícios fiscais, isenção de taxas.

A câmara de Lisboa também sublinha, a criação de um banco de materiais e de uma bolsa de projetistas com experiência de reabilitação.

São três as áreas de trabalho do projeto de classificação: a proteção dos edifícios; a conservação dos mesmos e a possibilidade de promover campanhas de divulgação e de informação sobre o património.

Já Miguel Coelho, o autarca de Santa Maria Maior, ficou surpreendido com a decisão. "Foi uma surpresa, sobretudo porque até ao momento a câmara não teve nenhum tipo de conversa comigo, nem formal, nem sequer informal, sobre esta sua intenção", lamenta, em declarações à TSF.

O autarca considera que esta zona da cidade não está preparada para ser património mundial da UNESCO.

"Em primeiro lugar, é preciso regular a sua vida. Isto é, é preciso condicionar o trânsito automóvel (coisa que esta câmara tem uma grande relutância) é preciso disciplinar toda a ocupação do espaço público", aponta.

Por sua vez, Carla Madeira, presidente da junta de freguesia da Misericórdia, também integrada na Baixa Pombalina, confirma à TSF que recebeu há um mês um e mail da Câmara Municipal de Lisboa dando conta da candidatura à UNESCO.

Apesar de não ter sido consultada no processo de decisão, e de nunca se ter realizado uma reunião nesse sentido, a autarca concorda com a proposta.

Notícia atualizada às 12h17

Nuno Domingues e Rui Oliveira Costa