Sociedade

Papa vai acompanhar Via-Sacra de sexta-feira como peregrino

Papa Francisco com jovens de Scholas Occurrentes Paulo Spranger/Global Imagens

Vão ser refletidos temas como "a fragilidade e as feridas que todos atravessam, a fragilidade da Igreja, a fragilidade da sociedade".

O papa Francisco vai acompanhar "como peregrino", na sexta-feira, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, a Via-Sacra que terá como tema de fundo "a "vulnerabilidade e a fragilidade" com que todos se confrontam no dia a dia.

O padre João Goulão, diretor do Centro Universitário Padre António Vieira, disse esta quinta-feira, em conferência de imprensa, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), nas 14 estações da Via-Sacra, que decorrerá ao longo de cerca de 90 minutos, que o papa estará no palco, acompanhando o desenrolar da celebração como os restantes peregrinos.

Quanto aos temas que vão ser refletidos, estão "a fragilidade e as feridas que todos atravessam (...), a fragilidade da Igreja, a fragilidade da sociedade", com base numa "grande auscultação mundial, através do Dicastério dos Leigos e da Família.

Este dicastério, que tem um órgão dedicado à Juventude, criado em 2018 "permitiu, com o contributo de 20 jovens dos cinco continentes, agrupar as fragilidades sentidas pela juventude em todo o mundo", acrescentou.

Assim, desde a saúde mental que "preocupa tanto e dilacera" a juventude, bem como "a solidão, a guerra, a luta por um futuro, a precariedade laboral, o desemprego" são temas abordados na Via-Sacra de sexta-feira, segundo aquele padre jesuíta.

O objetivo, é ver como, "a partir da experiência da fé e, sobretudo, a partir da experiência estética, nós podemos contemplar alguma coisa que, a partir da ferida e da fragilidade, se pode abrir alguma janela de luz, de esperança e de recomeço".

Outro dos temas que vai estar em relevo numa das estações da Via-Sacra serão os abusos, pois como sublinhou o padre João Goulão, "faria todo o sentido que na estação relativa à violência" os abusos dentro da Igreja fossem nomeados.

Na segunda estação -- "Jesus toma a Cruz aos ombros" -- a reflexão refere que "o mundo onde vivemos talvez não seja muito diferente. Guerras, atentados, tiroteios, em massa, mas também violência nos casamentos e nos namoros, abusos de crianças, 'bulling', abusos de poder, famílias onde se atiram palavras que são piores que pedras".

A Via-Sacra tem início às 18:00, no Parque Eduardo VII, e terá tradução simultânea em polaco, francês, espanhol, italiano e inglês, que poderão ser acedidas pelos peregrinos através de frequências de rádio.

Esta será o segundo grande evento do papa Francisco neste JMJ, depois da cerimónia do Acolhimento que tem lugar na tarde desta quinta-feira.

A JMJ decorre até domingo, com os principais momentos a decorrem na zona de Lisboa, tendo Francisco uma deslocação a Fátima prevista para a manhã de sábado.

Neste encontro mundial de jovens com o papa são esperados mais de um milhão de peregrinos.

Lusa