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Ex-Presidente Jacob Zuma recebe perdão especial e não será novamente preso

Esta foi a primeira vez na história da África do Sul que um ex-Presidente foi condenado a uma pena de prisão Michele Spatari/AFP (arquivo)

Jacob Zuma, 81 anos, estava em liberdade condicional médica desde 6 de agosto de 2021, fora da prisão, onde estava a cumprir uma pena de 15 meses por se recusar a comparecer perante uma comissão de inquérito sobre corrupção pública.

O ex-Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, recebeu um "perdão especial" presidencial e não será reencarcerado para cumprir uma pena de prisão de 15 meses, anunciou esta sexta-feira o Governo sul-africano.

O anúncio foi feito esta sexta-feira em conferência de imprensa, em Pretória, a capital do país, pelo ministro da Justiça e Serviços Correcionais, Ronald Lamola, e pelo comissário nacional de Serviços Correcionais, Makgothi Thobakgale.

O governante sul-africano indicou que o Presidente da República, Cyril Ramaphosa, aprovou um "perdão especial" a infratores "não violentos" no país.

Ramaphosa chegou à presidência em 2018 para substituir Jacob Zuma, obrigado a renunciar ao cargo antes do fim do mandato pelo seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), após nove anos de Governo envoltos em escândalos e acusações de má gestão da coisa pública.

No mês passado, o Tribunal Constitucional da África do Sul, a mais alta instância da justiça do país, indeferiu um pedido de recurso do Governo sul-africano contra o reencarceramento de Zuma, ordenado pelo Supremo Tribunal de Recurso sobre a liberdade condicional médica concedida a Zuma.

Jacob Zuma, 81 anos, estava em liberdade condicional médica desde 6 de agosto de 2021 fora da prisão onde estava a cumprir uma pena de 15 meses por se recusar a comparecer perante uma comissão de inquérito sobre corrupção pública no período em que foi Presidente, entre 2009 e 2018.

Em julho de 2021, a África do Sul viveu uma onda de violência durante mais de uma semana no seguimento da detenção do ex-presidente Jacob Zuma, que causou mais de 300 mortos e originou mais de 2.500 detenções, segundo a Presidência sul-africana.

O antigo chefe de Estado sul-africano foi preso na sua residência em Nkandla, na província sul-africana de KwaZulu-Natal, sudeste do país, para ser encarcerado no renovado Centro Correcional de Estcourt.

Esta foi a primeira vez na história da África do Sul que um ex-Presidente foi condenado a uma pena de prisão.

Pelo menos 40 mil empresas sul-africanas, entre os quais 161 centros comerciais, foram saqueadas, queimadas ou vandalizadas nos violentos protestos durante duas semanas.

Em termos económicos, o governo sul-africano estimou que a violência custará à economia 50 mil milhões de rands, ou 3,4 mil milhões de dólares (cerca de três milhões de euros).

O ex-presidente da África do Sul, e antigo líder do ANC está a enfrentar outros problemas legais, nomeadamente, está a ser julgado no Tribunal Superior de Pietermaritzburg, no caso de suborno e alegada corrupção pública na compra de armamento em 1999 pela África do Sul democrática pós-apartheid.

Lusa