Opinião

Más decisões políticas pagas com vidas humanas

A guerra no Médio Oriente mostra ao mundo os horrores que se podem cometer por lutas pelo território e por questões religiosas e extremistas.

A única democracia por aquelas paragens está ameaçada e chama-se Israel. A maior vitória que o mundo poderia dar ao Hamas seria precisamente a destruição daquele regime israelita. E o mundo não pode dar-se a esse luxo.

Com todos os seus defeitos e fragilidades - incluindo a fraqueza do seu líder Benjamin Netanyahu que, para se aguentar no poder, se rodeou mal nos últimos anos - Israel é o que resta de esperança naquelas paragens.

No último governo, Netanyahu preferiu ter junto de si dois aliados religiosos em vez de dois braços direitos militares e esse terá sido o seu pecado capital.

Essa opção fez que com que crescessem as vozes que defendem o fim do serviço militar obrigatório para todos aqueles que quisessem dedicar-se à religião. Essa opção fez com que muitos acreditassem que isso seria possível e que baixar os braços seria uma opção segura. Mas não, não foi. Aliás, foi um erro e ficou em causa o escudo protetor que permite a Israel defender-se perante ameaças externas constantes. Agora Israel paga um alto preço em vidas por más decisões políticas mortas.

Esta quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é esperado em Israel. Corre risco de vida? Sim, corre. Mas o ocidente tem de demonstrar o seu apoio àquele Estado. Se não o fizer, aquele território geoestratégico passará definitivamente para a mão de extremistas e fanáticos que se escondem cobardemente atrás da religião.

Biden é bem vindo a Israel e o mundo agradece. Também o chanceler alemão, Olaf Scholz, afirmou ontem que "só pode haver um lugar para a Alemanha em tempos difíceis: ao lado de Israel". Em Telavive, lembrou a história da Alemanha e o papel que teve no Holocausto, pelo que o dever do seu país é "defender a existência do Estado de Israel".

O chanceler alemão afirmou que Berlim está "a fazer tudo o que pode para garantir que este conflito não se agrave" em toda a região. E o resto do Ocidente estará consciente da importância desta espécie de Estado tampão?

Rosália Amorim