Sociedade

"Estamos preparados." Plano de emergência de Proteção Civil ativado em todos os municípios dos Açores para furação Gabrielle

António Araújo (arquivo)

A Proteção Civil garante que as "entidades estão preparadas" e deixa uma mensagem de "tranquilidade" à população. São esperadas rajadas de vento na ordem dos 200 quilómetros/hora

O ciclone tropical Gabrielle deverá passar pelos Açores como furacão de categoria 1 na escala de Saffir-Simpson (escala de 1 a 5, em que 5 é a categoria mais grave), provocando um agravamento do estado do tempo a partir do final do dia desta quinta-feira. A Proteção Civil garante que "as entidades estão preparadas" e ativou planos de emergência em todos os municípios.

"Estamos preparados e é com uma mensagem de calma, tranquilidade e segurança para a população que vamos partir", disse o presidente da Proteção Civil regional e bombeiros Açores, Rui Andrade, em declarações aos jornalistas.

"Os municípios seguiram aquilo que foi a tendência do Governo Regional dos Açores, com a ativação dos seus planos municipais de emergência de Proteção Civil, fundamentais no planeamento e resposta deste tipo de eventos. (...) As entidades estão preparadas para enfrentar o impacto do furacão", prosseguiu.

"O furacão Gabrielle impactará o arquipélago na categoria 1 e esse impacto será mais intenso no grupo central, com nota adicional para a agitação marítima e o vento. Estamos a falar de ventos médios na ordem dos 130 km/hora e rajadas máximas a rondar os 200 km/hora ao nível do mar. É um dado significativo e que merece atenção."

Depois de se ter reunido com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), durante a tarde desta quinta-feira, Rui Andrade confirmou que não se registaram "alterações significativas" nas previsões meteorológicas, mantendo-se os avisos vermelhos para as ilhas dos grupos Central (Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico e Faial) e Ocidental (Flores e Corvo), devido a precipitação, vento e agitação marítima.

Em relação ao vento, o presidente da Proteção da Civil dos Açores disse que "no grupo Central será sentido com maior intensidade nas ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa".

No entanto, Rui Andrade disse que todos os avisos são preocupantes e todos são contemplados na análise de risco.

O responsável da Proteção Civil açoriana também não quis especificar os períodos mais críticos ao longo da passagem do furacão pelo arquipélago.

"O período crítico é durante o final da noite de hoje, madrugada e parte do dia de amanhã. É importante que a população tenha esta consciência. [Ao] estar a pormenorizar períodos muito curtos, podemos cair no risco de falhar, porque estamos a limitar a probabilidade", justificou.

Em 2019, o furacão Lorenzo provocou estragos avultados nos Açores, mas Rui Andrade lembrou que passou pela região como categoria 3 e não 1, como é esperado o Gabrielle. "Não nos leva a crer que estamos perante um fenómeno mais violento do que o Lorenzo", apontou.

O responsável reiterou ainda que continuam a não existir motivos para fechar serviços e declarar situação de alerta no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).

"Feita a avaliação de risco para este cenário, não há qualquer critério para que estejamos a aplicar medidas excecionais", explicou.  

O ciclone tropical Gabrielle deverá passar pelos Açores como furacão de categoria 1 na escala de Saffir-Simpson (escala de 1 a 5, em que 5 é a categoria mais grave).

No grupo Central preveem-se "precipitação forte, vento com rajadas na ordem dos 200 quilómetros/hora de sul, a rodar para noroeste, e agitação marítima com ondas entre os oito e 10 metros de altura significativa, podendo a onda máxima atingir os 14 a 18 metros".

No grupo Ocidental também haverá precipitação forte e rajadas até 130 quilómetros/hora, com ondulação idêntica à do grupo Central.

Estes dois grupos estão com vários avisos vermelhos do IPMA -- o mais grave numa escala de três -- até sexta-feira de manhã.

Nas ilhas de São Miguel e Santa Maria são esperadas "precipitação por vezes forte", rajadas entre 100 e 120 quilómetros/hora, e ondas até nove metros de altura significativa.

O Governo Regional declarou situação de alerta até às 18:00 de sexta-feira, nos grupos Central e Ocidental, proibindo determinadas atividades.

Nestas ilhas, foram também encerrados serviços públicos não urgentes e essenciais, incluindo escolas.
  
  

TSF/Lusa