Sociedade

"Vai haver alguém a fiscalizar 24 horas?" Operadores turísticos duvidam que novas regras ordenem acesso ao Algar de Benagil

Paulo Spranger/Global Imagens

A nova legislação entra em vigor esta terça-feira, dia 13 de agosto

Bonita, mas com muita gente. É o comentário que mais se ouve a quem a visita. O Algar ou gruta de Benagil, no Algarve, é talvez o local mais fotografado e que aparece em todas as imagens da região algarvia. A sua fama aumentou proporcionalmente ao crescimento das redes sociais. O Algar de Benagil é uma constituição rochosa que terá milhões de anos. Uma gruta com um buraco na sua abóboda por onde entra a luz, que incide na água e na areia de uma praia em que o acesso se pode fazer apenas através de uma embarcação.

Para aceder ao local, na pequena praia de Benagil, outrora praia piscatória, os turistas amontoam-se e fazem fila para entrar nos barcos ou caiaques. "O que falta aqui é uma regulamentação para ordenar o número de empresas a trabalhar e o número de caiaques", sugere Ruben Costa. Mas a legislação que entra agora em vigor nada prevê sobre isso. Ela surge pela necessidade de regular aquele espaço e o acesso à gruta, que por vezes é caótico, com os barcos e caiaques a atropelarem-se para entrar, com os turistas a desembarcarem na areia, porque não querem deixar de tirar uma fotografia naquele local tão "instagramável".

A partir de agora passa a ser interdito o desembarque ou uso do areal no interior do Algar de Benagil a particulares e empresas, o aluguer de caiaques sem guia e o acesso a nado ou com meios auxiliares de flutuação. "O máximo que poderão estar é três barcos com menos de 12 metros e apenas por dois minutos", explica Ruben. Confessa que nesta altura do verão costumam estar naquela gruta cinco ou seis barcos. Também os caiaques não poderão ser mais de seis e têm de levar guia.

Miguel, que trabalha noutra empresa que transporta turistas até às grutas, duvida que as regras sejam aplicadas. "Fiscalização? É capaz de haver, mas vai haver alguém a fiscalizar 24 horas, permanentemente, na gruta? O governo paga isso?", questiona. "Acha que eles estão preocupados, assim que a polícia se for embora, em meter lá dentro 300 ou 400 caiaques?", sentencia.

No entanto, apesar de criticar algumas das medidas, o operador turístico Ruben Costa acredita que, com as normas que vão entrar em vigor, a situação vai tornar-se menos caótica para quem visita a gruta. Conta que todos os turistas, antes de lá chegarem, levam na retina a foto idílica que viram do Algar de Benagil. Quando lá chegam ficam desiludidos com a quantidade de gente que lá se encontra.

Adriana e o pai, espanhóis, ainda têm o colete de salvação vestido. Chegaram à praia vindos da gruta de Benagil. Visitaram-na poucos dias antes da legislação entrar em vigor e ainda puderam desembarcar. "Vimos uma gruta onde se via luz, outra em que havia eco, uma praia pequenina...", explica a menina. O pai conta que foi uma viagem muito interessante, mas lamenta haver tanta gente. Com as novas regras, talvez daqui para a frente seja mais tranquilo visitar aquela gruta com milhares de anos, considerada uma das maravilhas da natureza.

Maria Augusta Casaca