Sociedade

Sindicato da PSP alerta para "quadros de burnout" e "exaustão" dos profissionais nos aeroportos

Reinaldo Rodrigues (arquivo)

Na TSF, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia garante que "sem recursos é impossível continuar neste registo"

A afluência aos aeroportos e as falhas técnicas têm levado a um aumento de responsabilidades dos agentes da Unidade de Serviços de Estrangeiros e Fronteiras. O problema é que este aumento não tem sido acompanhado pela progressão e valorização das carreiras, o que tem resultado em "exaustão" e "quadros de burnout", alertou esta terça-feira a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).

Em declarações à TSF, o presidente da ASPP/PSP disse que o alerta foi dado há já quatro anos, aquando a reestruturação do SEF: "Eram preciso efetivos, formação e condições estruturais."

"O número de pessoas que visitam o nosso país tem aumentado", sublinhou Paulo Santo, apontando a situação dos aeroportos de Faro e Lisboa.

Paulo Santos adiantou ainda que os trabalhadores queixam-se das "entradas dos cidadãos nos aeroportos, que estão numa situação limite" e, muitos estão "com vontade de sair do serviço" devido às filas e "ao próprio sistema com que trabalham".

Para o sindicalista, têm sido dadas, por parte dos polícias, "respostas à altura das suas responsabilidades, mas sem recursos é impossível continuar neste registo".

"O Governo não tem olhado para esta realidade com olhos de ver", concluiu.

A estrutura sindical enviou um oficio à Direção Nacional da PSP, com conhecimento à ministra da Administração Interna, dando conta de vários situações nos aeroportos envolvendo profissionais afetos à Unidade de Estrangeiros e Fronteiras.

De acordo com a ASPP/PSP, há profissionais com perda momentânea de consciência (desmaio) nas boxes.

A estrutura sindical alertou também a Direção Nacional da PSP que apesar dos profissionais “serem competentes, capazes, altruístas e sobejamente conhecidos pela sua capacidade de resiliência, ainda assim, não devem ser envolvidos numa situação destas em que a sua imagem e estatuto ficam manchados por razões cuja responsabilidade não lhes deverá ser imputada”.

Inês Morais Monteiro