Sociedade

A voz de um político quer-se "empoderada", mas não forçada

Rui Manuel Farinha/Lusa (arquivo)

Em fase de pré-campanha eleitoral, Paula Vital, terapeuta da fala no Hospital de São José e coach vocal, salienta na TSF a importância da voz para a classe política. A chave para o sucesso pode ser uma boa hidratação

O Dia Mundial da Voz, que se assinala esta quarta-feira, coincide este ano com a pré-campanha eleitoral para as eleições legislativas: numa profissão em que a voz é imperativa, Paula Vital, terapeuta da fala no Hospital de São José e coach vocal, deixa algumas recomendações para que os candidatos possam ser ouvidos até ao último dia.

A experiência é comum a todos os políticos nesta altura: "No fim da campanha, todos estão com uma alteração: se não estiverem roucos, estão com algum tipo de alteração do timbre."

Paula Vital nota à TSF, contudo, que não tem de ser assim. Apesar de reconhecer que a voz tem de ser "empoderada" — sendo este o tema de 2025 no Dia Mundial da Voz —, é preciso fazer um esforço para evitar "falar mais alto". Esta é a tendência que muitos políticos seguem, sobretudo nas ações de rua.

"As campanhas de rua são, se calhar, as mais desafiantes, porque são em espaço aberto. A voz dissipa-se, o ruído de fundo pode abafar a voz de político e, então, é instintivo: vão fazer um esforço para falar mais alto e a voz quer tudo menos força e esforço", destaca.

Mas falar alto e durante muito tempo também acontece nos comícios partidários. A terapeuta aconselha, por isso, a que não se esqueça o habitual copo de água no púlpito e, já agora, mais água e menos café, se possível.

"O chá poderá ter uma boa influência na hidratação, se não for tomado com açúcar. O café, mesmo que não seja tomado com açúcar, é uma bebida que desidrata. E isso acontece a muitos políticos", refere.

Tão tradicional como a rouquidão da reta final são as noites mal dormidas ao longo de pelo menos 15 dias. Nesta "fase intensa", a primeira sacrificada acaba por ser novamente a voz.

Dora Pires