Ao que tudo indica, o novo plano do Governo para gerir a água não vai passar por transferir água do Norte para o Sul de Portugal. A ideia foi posta de lado por ser demasiado cara e complexa
O novo plano do Governo para a gestão da água, previsto para arrancar em janeiro, põe de parte a ideia de transportar água das bacias do Norte para o Sul do país, noticia este domingo o jornal Público.
O Governo garante que a palavra de ordem para gerir a água em Portugal vai passar a ser eficiência.
O plano foi preparado por um grupo de trabalho, liderado por António Carmona Rodrigues, onde fica posta de parte a hipótese de transportar água das bacias do Norte do país para compensar a falta dela no Sul, nomeadamente no Algarve. A própria ministra do ambiente já tinha avisado que esta ideia ia ser cara e difícil de manter.
Ainda assim, estão previstos pequenos transvases do rio Tejo para o Sul do país, através da ribeira de Nisa, mas só nos anos em que sobrar água. Nestas alturas (e como de resto já acontece), a barragem do Alqueva vai também alimentar as barragens da bacia do Sado.
O grupo de trabalho argumenta com base num estudo que Portugal não tem falta de água (tem, sim, uma má gestão da mesma).
No Algarve, a solução vai passar por captar água do rio Guadiana ao pé da aldeia do Pomarão para fazê-la chegar à barragem de Odeleite.
No fundo, com este plano, o Governo quer gerir melhor as águas nas redes urbanas, sobretudo na agricultura, setor em que quase metade da água (40%) está a ser desperdiçada.
O Governo chamou "Água que Une" a esta nova estratégia para gerir a água em Portugal. O plano vai ser gerido por uma empresa pública e deve arrancar no próximo mês.