"Elas não estão cá para confirmar nem para desmentir", disse o candidato comunista à Presidência da República
O candidato presidencial António Filipe defendeu esta terça-feira que se deve respeitar a memória das pessoas falecidas, a propósito das declarações à volta de Francisco Sá Carneiro feitas pelos adversários e do artigo de opinião de Cavaco Silva.
"Eu acho que devemos respeitar a memória das pessoas falecidas e não lhes atribuir opiniões porque elas não estão cá para confirmar nem para desmentir", afirmou António Filipe, depois de um encontro, em Lisboa, com o antigo sindicalista Manuel Carvalho da Silva.
Num artigo de opinião publicado no Observador pelo antigo Presidente da República e ex-chefe de executivo Aníbal Cavaco Silva, o social-democrata afirma-se chocado com a forma como o nome de Francisco Sá Carneiro tem sido invocado por vários candidatos às eleições presidenciais como André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo.
"Eu, de facto, não li esse artigo, mas sobre essa questão que está a dizer há uma coisa que eu acho que não se deve fazer com ninguém, que é estarmos a atribuir posições políticas e opiniões às pessoas que não estão cá nem para confirmar nem para desmentir", referiu o candidato apoiado pelo PCP e PEV.
Frisou ainda que "nunca ninguém" o ouvirá "atribuir a pessoas que não estão cá, opiniões".
Sobre o apelo do adversário António José Seguro ao voto útil, referindo mesmo que o voto noutros candidatos à esquerda "não conta", o ex-deputado comunista respondeu: - "Eu acho que quando um cidadão ouve dizer que o seu voto não conta, é que deve ficar incomodado, não sou eu".
Acrescentou que respeita "todos os adversários políticos".
"O António José Seguro fará a sua campanha e eu farei a minha", frisou.
A propósito dos problemas da saúde e as dificuldades nos tempos de espera dos serviços de urgência admitidas pela ministra da Saúde, António Filipe defendeu "políticas públicas de valorização do Serviço Nacional de Saúde, em vez de uma política de degradação do SNS, enquanto o negócio privado da saúde vai crescendo".
"Eu acho que cumprir a Constituição passa por aí, passa necessariamente por valorizar o serviço nacional de saúde", realçou.
António Filipe fez questão de agradecer o apoio à sua candidatura demonstrado hoje por Carvalho da Silva, depois do encontro nas instalações da instituição de solidariedade social Voz do Operário.
O antigo secretário-geral da CGTP-IN apontou "as razões muito objetivas" que o levam a apoiar a candidatura presidencial do ex-deputado na Assembleia da República.
"Tem sido reconhecido como alguém que interpreta com muita profundidade os valores e os princípios em que a Constituição da República ancora o regime democrático português", salientou Carvalho da Silva.
O antigo sindicalista destacou ainda "o apego" do candidato "aos valores e às causas do mundo do trabalho" e disse que a "democracia precisa muito que à esquerda toda a gente vá votar, todos os votos sejam utilizados desde logo na primeira volta".
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde e a campanha eleitoral decorre de 04 a 16 de janeiro.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.