Sociedade

Sindicato desafia INEM e Governo a assumirem "falhas" no caso do homem que morreu por não ter recebido ajuda médica a tempo

Gustavo Bom/Global Imagens (arquivo)

Em declarações à TSF, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, critica ainda o novo sistema de triagem das chamadas que chegam ao CODU

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, desafia, na TSF, o INEM e o Governo a assumirem as "falhas" na resposta ao caso de um homem de 78 anos que morreu na terça-feira no Seixal depois de ter estado três horas à espera de ajuda médica.

O homem, de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11h20 de terça-feira, tendo esta situação sido classificada como prioridade 3 - que prevê o acionamento de meios em 60 minutos -, mas apenas foi enviada a viatura médica pelas 14h09, quase três horas depois.

Rui Lázaro acredita que o novo sistema de triagem das chamadas recebidas nos CODU (Centro Operacional de Doentes Urgentes), que classifica os doentes por prioridades - a mais grave é a situação emergente, em que há risco de vida, o segundo é o muito urgente e o terceiro é o urgente , como é o caso deste homem do Seixal - tem culpa no que aconteceu. A razão? Ao ter sido classificada como uma situação urgente, os serviços podem, nos primeiros 60 minutos, não ter procurado "afincadamente" uma ambulância para o socorrer.

Ter implementado alterações "muito rapidamente sem a necessária discussão, desde logo com os profissionais de saúde" no sistema de triagem, e numa fase de pico da gripe e com os "hospitais sobrecarregos", acrescenta Rui Lázaro, "talvez" não tenha sido a opção "ideal".

Antes de mais, é necessário saber de quem é a responsabilidade pelo que aconteceu, considera ainda o presidente do STEPH. "Esperemos que o Ministério Público possa abrir uma investigação a este caso, apurando as responsabilidades, e que se coloque em causa as alterações que o novo presidente pretende implementar no INEM, muitas delas até contrariando o que temos vindo a trablhar com o Governo."

O líder do STEPH faz igualmente um desafio ao INEM, com o argumento de que neste caso tudo "falhou".

"Este caso representa uma falha do Estado, uma falha dos Serviços Médicos de Emergência e uma falha do INEM. É importante que o INEM e que o próprio Governo possa lamentar o desfecho, garanta o apoio possível aos familiares desta vítima, mas também que se corrija o que possa ter estado na origem deste desfecho trágico."

Guilhermina Sousa