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Reino Unido debate com aliados da NATO reforço da segurança no Ártico

Olivier Matthys/EPA

Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata britânico, sugeriu que o Reino Unido se ofereça para enviar tropas para a Gronelândia, no âmbito de um comando conjunto com a Dinamarca: "Se Trump leva a segurança a sério, ele concordará em participar e abandonar as ameaças ultrajantes"

O Reino Unido está a discutir com os aliados da NATO como pode ajudar a reforçar a segurança no Ártico para travar as ameaças russa e chinesa, disse este domingo a ministra dos Transportes.

Heidi Alexander afirmou que estes contactos são "conversas normais" e não uma resposta às recentes ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar a Gronelândia.

A governante afirmou que o Governo britânico concorda com a posição de Trump sobre a Rússia e a China, cada vez mais competitivas no círculo polar ártico.

"Embora não tenhamos visto as consequências terríveis nessa parte do mundo que vimos na Ucrânia, é realmente importante que façamos tudo o que pudermos com todos os nossos aliados da NATO para garantir que temos um dissuasor eficaz nessa parte do globo contra [o Presidente russo, Vladimir] Putin", disse Alexander à estação britânica BBC.

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, um grupo de países europeus, liderado pelo Reino unido e pela Alemanha, está a discutir planos para aumentar a presença militar na Gronelândia.

O objetivo é mostrar a Trump que a Europa leva a sério a segurança do Ártico, acrescentou a Bloomberg, sublinhando que a Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger a região do Ártico.

Na sexta-feira, Trump disse que gostava de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, país-membro da Aliança Atlântica, para impedir que a Rússia ou a China a tomem.

"Vamos fazer algo na Gronelândia, quer eles gostem ou não", salientou Trump.

A Gronelândia, com cerca de 57 mil habitantes, é defendida pela Dinamarca, cujas forças armadas são muito inferiores às dos EUA, que operam uma base militar na ilha. A primeira-ministra da Dinamarca alertou que uma aquisição ia ameaçar a NATO.

Entretanto, o ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson, demitido no ano passado por causa da amizade com o empresário Jeffrey Epstein, disse não acreditar que Trump tome a Gronelândia à força.

"Ele não é tolo", disse Mandelson. "Todos nós temos que acordar para a realidade de que o Ártico precisa ser protegido contra a China e a Rússia. E se me perguntar quem vai liderar esse esforço de proteção, todos nós sabemos que serão os Estados Unidos".

Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata britânico, sugeriu que o Reino Unido se ofereça para enviar tropas para a Gronelândia, no âmbito de um comando conjunto com a Dinamarca.

"Se Trump leva a segurança a sério, ele concordará em participar e abandonar as ameaças ultrajantes", disse Davey.

"Destruir a aliança da NATO só favorece Putin", salientou.

Não está clara a reação dos restantes membros da Aliança Atlântica caso os EUA decidam tomar o controlo da ilha ártica à força.

Lusa