A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais em tempo de catástrofe esteve esta quinta-feira em debate no Fórum TSF
"Os alinhamentos noticiosos estão completamente dominados pela catástrofe que se bateu sobre o país", além de que há pessoas "sem teto", que "podem não ter o que comer" ou um gerador. Perante este cenário, a campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais caiu para segundo plano, mas os professores catedráticos, ouvidos esta quinta-feira no Fórum TSF, acreditam que, ainda assim, as pessoas vão votar "disciplinadamente" no domingo e "com um sentido cívico enorme".
"Quer os sites, o digital, a rádio, os jornais, ou a televisão estão completamente dominados pela catástrofe que se bateu sobre o nosso país, o que significa que este agendamento da campanha eleitoral é muito periférico", notou Felisbela Lopes, professora catedrática na Universidade do Minho.
Acresce que "as condições atmosféricas também poderão afetar a nossa ida às urnas no próximo domingo", lembrou, sublinhando que a "preocupação" existe e que, neste momento, "quase nos esquecemos de que estamos em campanha eleitoral".
Também José Adelino Maltez, professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (Universidade de Lisboa), referiu que há pessoas "sem teto em casa, que "podem não ter o que comer" ou um gerador. No entanto, frisou, não será isso que as irá impedir de ir "no domingo disciplinadamente, com um sentido cívico enorme, depositar o seu voto naquele que consideram ser "o melhor candidato" para assumir a Presidência da República.
"Não tenho dúvidas nenhumas que só se vão abster, não os que sofrem, mas os que estão encatados e guardados na sua casinha e não querem apanhar um pingo de água na careca. O povo que sofreu vai votar, não tenho dúvidas nenhumas", atirou.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo Sousa, admitiu esta quinta-feira que alguns municípios poderão decidir adiar as eleições presidenciais devido ao estado de calamidade decorrente do temporal que afeta o país.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.