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Primeiro-ministro albanês anuncia que participará na reunião do Conselho de Paz de Trump

Créditos: Nicolas Tucat/AFP

Os membros permanentes do Conselho de Paz devem pagar 854,3 mil milhões de euros para aderir, o que suscita críticas de que o Conselho poderia se tornar uma versão "paga" do Conselho de Segurança das Nações Unidas

O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, anunciou este domingo que vai a Washington na próxima semana para participar na primeira reunião do Conselho de Paz criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

"Estarei em Washington para a criação oficial do Conselho de Paz e o lançamento das atividades desse conselho", disse numa entrevista ao podcast albanês Flasim.

O órgão liderado por Donald Trump foi concebido para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas a sua carta atribuiu-lhe um objetivo muito mais amplo: a resolução de conflitos armados em todo o mundo.

A primeira reunião está prevista para 19 de fevereiro, em Washington.

Os membros permanentes do Conselho de Paz devem pagar mil milhões de dólares (854,3 mil milhões de euros) para aderir, o que suscita críticas de que o Conselho poderia se tornar uma versão "paga" do Conselho de Segurança das Nações Unidas - ONU.

Donald Trump lançou o seu Conselho de Paz no Fórum Económico Mundial de Davos, em janeiro, e pelo menos 19 países assinaram a sua carta fundadora.

Edi Rama, no entanto, já indicou que o seu país não pagará para ser membro permanente da iniciativa: "A Albânia tem o privilégio de ser um Estado fundador e não contribuirá financeiramente para aderir ou permanecer".

Alguns países, incluindo Croácia, França, Itália, Nova Zelândia e Noruega, recusaram aderir, e outros declararam que só poderiam considerá-lo se a sua carta fosse alterada.

Portugal só irá aderir ao Conselho de Paz criado pelo Presidente norte-americano se o âmbito da organização se cingir ao conflito israelo-palestiniano, afirmou, por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

"O Board of Peace [Conselho de paz] é perfeitamente enquadrável se se restringir a Gaza", afirmou Paulo Rangel numa conferência sobre "O futuro da segurança da Europa".

A organização "foi proposta pelos Estados Unidos para este conflito israelo-palestiniano, gostaríamos que se cingisse a isso", reforçou, lembrando que a posição é seguida por outros Estados, incluindo o Brasil.

Criado oficialmente a 22 de janeiro, o Conselho de Paz foi anunciado como um organismo com o objetivo de aplicar o plano de Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas o tratado fundador revela um mandato muito mais vasto, apresentando-se como uma organização alternativa às Nações Unidas.

Presidido por Donald Trump, o Conselho de Paz enviou convites de adesão a vários países, sendo que o preço de um lugar permanente é de mil milhões de dólares.

Trump tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.

Lusa