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FMI deseja mais maturidade nas negociações com a Grécia

Jonathan Ernst/ Reuters

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde diz que as conversações entre a Grécia e os seus credores beneficiariam com "mais maturidade", numa entrevista à televisão norte-americana CNN.

"Dado o nível de incerteza, confusão e constantes movimentações, penso que é preciso um pouco mais de maturidade" nas negociações, disse.

Lagarde suscitou polémica quando, após a reunião do Eurogrupo de 19 de junho, afirmou numa conferência de imprensa que as conversações com a Grécia tinham de ser retomadas "mas com adultos na sala".

Agora Lagarde afirmou que o incumprimento no pagamento do reembolso de 1,5 mil milhões previsto para terça-feira "não foi claramente um desenvolvimento positivo" porque impede o Fundo Monetário Internacional de novos financiamentos à Grécia.

Para sair desta situação e beneficiar do apoio dos credores internacionais, sustentou, a Grécia tem de fazer mais reformas estruturais como as previstas nos acordos assinados nos últimos cinco anos com o FMI e as instituições europeias (Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

"Há reformas estruturais, ajustamentos fiscais, a fazer para assegurar que o país está numa trajetória sustentável", disse Lagarde.

Os países membros do FMI "gostariam de ver a situação resolvida Euro a incerteza afastada", disse. "Estão também muito interessados em que a questão seja resolvida de uma forma equilibrada e não querem mesmo que haja tratamento especial" a um país, acrescentou.

"Quer se olhe para a Irlanda ou Portugal, na zona euro, ou se olhe para outros países noutros continentes, estas situações acontecem, os países têm de tomar medidas difíceis", disse.

A responsável do FMI assegurou que é sensível às necessidades do povo grego e que quando os credores exigem maiores receitas fiscais esperam que os impostos "sejam pagos especialmente por aqueles que são mais ricos".

"Por outro lado, é claro que tem de haver uma rede de segurança estabelecida gradualmente" para os mais vulneráveis.

E, sublinhou, que apesar de a Grécia estar em incumprimento, o FMI "vai manter-se envolvido, é essa a missão do fundo".

Numa outra entrevista, à agência Reuters, a diretora geral do FMI reconheceu que está muito confusa. "Recebemos tantas propostas nos últimos tempos. Já não é muito claro o que defende a última proposta." Lagarde diz agora esperar que o referendo convocado para domingo traga mais clareza e menos incerteza a todo este processo.

TSF com Lusa