Saúde

Suplementos alimentares de cálcio preocupam Infarmed e farmacêuticos

Paulo Spranger / Global Imagens

O Infarmed e a Ordem dos Farmacêuticos alertam contra os perigos de produtos que contém cálcio e que são vendidos sem receita médica. Empresa que produz o Calcitrin diz estar disponível para fazer correções.

O Infarmed, a autoridade nacional que regula a venda de medicamentos, alertou hoje para os riscos dos produtos que contém cálcio e que são vendidos sem receita medica dizendo que eles não devem ser utilizados no tratamento ou na prevenção de doenças.

Em comunicado, o Infarmed avisa que não podem ser considerados medicamentos os produtos contendo cálcio que são publicitados em "intensas campanhas" e que, por essa razão, não estão sujeitos a medidas apertadas no que diz respeito à "qualidade, segurança e eficácia".

A entidade que regula o medicamento avisa que os produtos "não são isentos de risco para a saúde quando são utilizados em quantidades excessivas ou quando são consumidos por pessoas com doenças renais ou a tomar outros medicamentos".

O Infarmed lembra que a prevenção ou o tratamento de doenças deve ser acompanhada de um aconselhamento médico e sublinha que quem vende este tipo de produtos não pode dizer que eles previnem ou tratam doenças.

Providência cautelar contra Calcitrin

Também hoje, a Ordem dos Farmacêuticos entregou uma providência cautelar para suspender a publicidade ao suplemento alimentar Calcitrin MD Rapid.

A Ordem avisa que "o consumo deste produto de forma indiscriminada poderá ter como consequência danos na saúde e bem-estar de muitos cidadãos, causando lesões sérias e de difícil reparação".

Em declarações à TSF, o bastonário dos farmacêuticos, Carlos Maurício Barbosa considerou que "a publicidade a este tipo de produtos já foi levada longe demais, de uma forma verdadeiramente inaceitável, fazendo reivindicações de saúde que não são aceitáveis".

O bastonário critica as campanhas onde algumas figuras públicas aparecem "a incentivar os portugueses a oferecerem no Natal a embalagem" do produto.

"Estamos numa situação em que se perdeu todos os limites", classificou o bastonário adiantando esperar que "a justiça rapidamente decida pela suspensão destes anúncios".

Carlos Maurício Barbosa explicou que este tipo de produto, "tomado de uma forma desregrada", pode conduzir a problemas cardiovasculares, renais e gastrointestinais.

"Este produto não é isento de problemas para quem o toma. Não estão cientificamente demonstradas as reivindicações que insistentemente são apresentadas" nas campanhas publicitárias de rádio e televisão.

Empresa disponível para fazer correções

Em comunicado, a empresa VivaMelhor, que comercializa este "suplemento alimentar para manutenção de ossos normais", já disse estar disponível para corrigir o que for considerado inadequado às finalidades anunciadas, sublinhando também que não recebeu "qualquer comunicação, reclamação ou chamada de atenção relativamente à qualidade deste produto, ou sua publicidade".

TSF com Lusa