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FARC garantem que mantêm cessar-fogo apesar do fracasso do referendo acordo paz

Líder das FARC não quer voltar para o mato Enrique de la Osa / Reuters

Guerrilheiros não quer voltar à guerra apesar do resultado do referendo na Colômbia.

O chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño, também conhecido por Timochenko, anunciou hoje que a guerrilha mantinha o cessar-fogo "definitivo", apesar do fracasso, na véspera, do referendo sobre o acordo de paz.

"Reafirmamos perante a Colômbia e o mundo que as frentes de guerrilha (das FARC) mantêm o cessar-fogo bilateral e definitivo, para libertar as vítimas do conflito e respeitar o acordo com o Governo", declarou Timochenko, em mensagem vídeo, a partir de Havana, onde decorreram as negociações de paz.

O Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, reconheceu hoje a vitória do "não" no referendo sobre o acordo de paz assinado com a guerrilha das FARC, mas prometeu continuar os esforços para acabar com a guerra de 52 anos.

De acordo com os resultados oficiais, quando estavam escrutinadas 99,08% das mesas, 50,24% dos votantes (6.400.516) disseram "não" ao acordo e 49,75% (6.338.473) disseram "sim".

O acordo de paz foi assinado em 26 de setembro, em Cartagena das Índias, por Juan Manuel Santos e Rodrigo Londoño.

A pergunta à qual os eleitores tinham que responder, com um "sim" ou um "não", era se apoiavam o acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura.

Lugar à disposição

Entretanto, o negociador-chefe do governo colombiano no processo de paz com as FARC, Humberto de la Calle Lombana, pôs hoje o lugar à disposição, na sequência do "não" dos eleitores colombianos ao acordo no plebiscito de domingo.

"Venho dizer ao presidente [Juan Manuel Santos] que ponho à sua disposição o meu cargo de chefe da delegação porque não serei um obstáculo para o que se seguir", disse De La Calle na sua primeira declaração após o triunfo do "não" no plebiscito.

Numa declaração na sede do governo colombiano, a Casa de Nariño, De la Calle afirmou: "os erros que tenhamos cometido são da minha exclusiva responsabilidade. Assumo integralmente a minha responsabilidade política".

Por outro lado, realçou que vai continuar "a trabalhar incessantemente pela paz" em quaisquer funções em que "possa ser útil".

O negociador-chefe manifestou ainda o seu "total apoio" ao chefe de Estado colombiano, afirmando que este mostrou "uma liderança valente" porque "preferiu a paz à inércia da guerra" e "porque se submeteu à decisão dos cidadãos".

O presidente Juan Manuel Santos ainda não se pronunciou sobre se De la Calle continuará ou não à frente da equipa negociadora. O presidente enviou De la Calle a Havana para "manter informados os negociadores das FARC" sobre o diálogo político que quer iniciar com todos os partidos do país.

Lusa