Desporto

Polícias querem clubes a pagar policiamento das claques

José Carmo/Global Imagens

Agentes dizem que trabalham de graça e não querem continuar a suportar a "vergonha do futebol".

O maior sindicato representativo dos polícias quer que sejam os clubes a pagarem o policiamento das claques e toda a operação de segurança montada à volta dos estádios em dias de jogos.

Depois dos confrontos do fim de semana, entre eles uma agressão de um policia a um adepto perto do Estádio da Luz, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) escreveu ao Ministério da Administração Interna (MAI) e aos grupos parlamentares na Assembleia da República.

Os polícias exigem mudanças urgentes e dão um prazo até ao início do novo campeonato, sob pena de avançarem com protestos, afirmando que estão fartos de trabalhar de graça para os clubes e sociedades anónimas desportivas.

O presidente da ASPP explica à TSF que apenas os agentes que estão dentro dos estádios recebem um extra dos clubes. A maioria, que estão lá fora, são tirados de outras funções ou estão com muita frequência de folga e não recebem nada pelo trabalho.

Paulo Rodrigues diz que esta situação arrasta-se há anos e é "inaceitável pois estamos perante um negócio de milhões de euros que não tem de ser o Estado e os polícias a suportarem".

Em alguns comandos, os polícias recebem folgas de compensação se forem a um jogo em dia de descanso, mas com frequência nem isso acontece, com o representante dos agentes a sublinhar que este não é um trabalho nada fácil: quase sempre há agentes alvo de ameaças, insultos e agressões, por vezes com "mazelas irreparáveis", pelo que a ASPP admite que seja normal que às vezes as coisas não corram bem.

Paulo Rodrigues acusa ainda os dirigentes do futebol de muitas vezes incentivarem os confrontos e o governo de não fazer nada para acabar com estes "favores a sociedades anónimas desportivas pois os clubes são, no fundo, negócios".

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia garante que vai continuar a insistir para que as autoridades atuem, finalmente, para acabar com aquilo que diz ser a "vergonha do futebol".

Se nada mudar até ao início do próximo campeonato, os polícias prometem protestos contra
a forma como é feita a segurança nos jogos de futebol, exigindo não apenas que os clubes paguem pelo trabalho, mas também que sejam travados de entrar nos estádios os adeptos que recorrentemente provocam confusão.

Nuno Guedes