Projeções apontam para vitória do partido Conservador, mas com perda da maioria absoluta de Theresa May. Os Trabalhistas de Jeremy Corbyn sobem. Cenário parlamentar ainda incerto.
Theresa May não consegue a maioria absoluta que pediu ao eleitorado, indica a projeção divulgada pelas televisões BBC, Sky News e ITV.
A sondagem à boca das urnas indicou que o partido Conservador terá 314 deputados, o partido Trabalhista 266, o Partido Nacionalista Escocês 34, os Liberais Democratas 14 e o Plaid Cymru (nacionalistas galeses) três, sendo os restantes distribuídos por pequenos partidos.
A maioria absoluta no parlamento britânico é de 326 deputados, mais de metade dos 650 assentos parlamentares.
A confirmarem-se estes resultados, o partido Trabalhista sobe em relação às eleições de 2015 (mais 34 deputados) enquanto o partido Conservador desce face à votação anterior, perdendo 17 lugares.
O ministro britânico da Defesa, o conservador Michael Fallon, e o porta-voz dos Trabalhistas para a economia mostraram cautela na primeiras reações.
"Isto é apenas uma projeção, creio que isso ficou claro, não é um resultado. As sondagens à boca da urna já se enganaram no passado. Em 2015 subestimaram os nossos votos", disse Fallon à BBC.
"Temos de esperar para ver alguns resultados reais antes de podermos interpretar", afirmou o ministro conservador.
No mesmo sentido, o trabalhista John McDonnell disse que "todas as sondagens devem ser interpretadas com algum ceticismo" porque "no passado já se equivocaram".
O partido dos Liberais Democratas já repetiu que não formará coligações nem acordos com qualquer partido, independente do resultado das eleições. "Estamos a receber muitos telefonemas, por isso vamos ser claros: Não a coligações. Não a acordos", escreveu o gabinete de imprensa do partido na sua conta na rede social Twitter.
A posição reforça o que já tinha sido afirmado pelo líder do partido, Tim Ferron, numa entrevista ao jornal Observer: "nenhum acordo, nenhum acordo com ninguém".
O Sinn Féin, partido de esquerda da Irlanda do Norte que contesta a soberania britânica, poderia ser um aliado do partido Trabalhista numa eventual coligação, mas já anunciou que vai manter o boicote de 2015 e não ocupará os lugares que conquistar na Câmara dos Comuns.
Os últimos boletins estarão contados perto do meio-dia de sexta-feira.
O sistema eleitoral usado nas eleições legislativas britânicas é de maioria simples [first past the post], o que quer dizer que vence aquele que tiver maior número de votos.
O governo é formado pelo partido com maior número de deputados na Câmara dos Comuns e o primeiro-ministro o respetivo líder.
A estas eleições concorreram mais de 3 mil candidatos em 650 círculos uninominais, distribuídos por Inglaterra (533), Escócia (59), Irlanda do Norte (18) e País de Gales (40).
Estavam recenseados 46,9 milhões de eleitores.
As eleições foram antecipadas pela primeira-ministra britânica, Theresa May, líder do partido Conservador, que invocou a necessidade de legitimar o seu plano para negociar o 'Brexit'.
As sondagens nem sempre têm acertado no resultado, pelo que os analistas políticos têm sido cautelosos nas suas projeções.
O Partido Trabalhista reduziu nos últimos meses a desvantagem nas intenções de voto face ao partido Conservador, no Governo, tornando o desfecho incerto.