Política

CGD: Deputados do PS faltam e quase todo o relatório chumba

Rui Coutinho

Com a ausência de deputados do PS, registou-se um empate que ditou o chumbo de grande parte do texto do relatório final assinado por um socialista. Reunião atribulada teve pausas e chegadas tardias.

Os votos da nova maioria bastavam mas a ausência de deputados do PS, numa votação "por cabeça", ditou o chumbo do corpo global do relatório final da comissão de inquérito ao processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

No final acabaram por ser aprovadas apenas cinco recomendações do relatório final.

Quando começou a votação dos seis primeiros capítulos do texto, de análise, enquadramento e conclusões, estavam na sala cinco deputados do PS (de um total de sete efetivos), um do BE e um do PCP, que viabilizaram o relatório, no entanto, estes sete votos empataram com os sete do PSD e do CDS, que votaram contra.

Ora, em caso de empate, vinga o chumbo e foi o que aconteceu.

Os trabalhos chegaram a ser interrompidos durante largos minutos, com muita agitação nos corredores parlamentares, até que a comissão voltou a reunir-se já com a presença dos dois deputados do PS, antes ausentes: João Galamba e Susana Amador.

O presidente da comissão de inquérito, Emídio Guerreiro, sublinhou no final dos trabalhos ser "cada vez mais premente" ser revisto o enquadramento das comissões parlamentares de inquérito para que estas, no futuro, consigam ir "mais longe" e superar "obstáculos".

Tanto PSD como CDS tinham acusado o relatório final de ser "uma fraude" e um "branqueamento" sobre o processo de concessão de créditos durante os anos da governação de José Sócrates.

A comissão de inquérito, cujo texto final foi esta terça-feira discutido e votado, debruçou-se sobre a gestão do banco público desde o ano 2000, culminando no processo de recapitalização de cerca de 5.000 milhões de euros, aprovado entre o Governo português e a Comissão Europeia, depois de a CGD ter apresentado um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016.

Judith Menezes e Sousa e Raquel de Melo com Lusa