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Maior favela do Brasil cercada por forças especiais

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Um conflito entre grupos de traficantes armados está na origem do "clima de terror" na favela. Quatro pessoas já morreram, desde o último fim de semana.

O Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE) está a cercar a Rocinha, a maior favela do Brasil, para tentar conter uma "guerra civil", que desde o último fim de semana aterroriza os moradores da região.

Em causa está uma luta entre organizações criminosas: de um lado, o grupo de Antonio Bonfim Lopes, conhecido como 'Nem', traficante detido desde 2011 numa cadeia de segurança máxima em Campo Grande, a 700 quilómetros do Rio, mas que mesmo assim teria dado ordem para atacar outro grupo traficante. O grupo rival é comandado por Rogerinho 157, que o sucedeu na liderança do tráfico na região, e está a circular, ao lado de dezenas de aliados fortemente armados, na parte alta da cidade.

Foram contabilizados quatro mortos até ao momento, dois na sequência dos tiroteios e dois carbonizados por rivais.

Os cerca de 70 mil habitantes da Rocinha relatam momentos de terror: há toque de recolher, como num qualquer cenário de guerra, a partir das 17h00, determinado pelo grupo de Rogerinho 157.

Escolas e comércio trabalham a meio gás ou não funcionam. Quem não comprar comida ou velas - porque os tiroteios provocaram curto circuitos e interromperam o abastecimento elétrico em parte do local - fica sem comer e sem luz.

Imagens de telemóveis mostram pessoas a viver rastejando pelo chão das casas por terem medo de ser atingidas por uma bala perdida junto às janelas e de carros destruídos por centenas de tiros. Quem trabalha no local fica retido, horas ou dias, nos empregos. Quem entra na Rocinha não sai e quem está fora não pode entrar até porque os transportes que servem a comunidade deixaram de cumprir o percurso total e reduziram drasticamente os horários de funcionamento.

Pablinho Fantástico, um dançarino profissional que atuou no espetáculo de Alicia Keys no Rock in Rio, por exemplo, não pode voltar a casa desde sexta-feira, diz ele, "por causa da guerra" na favela, onde estão a mulher, os filhos, os pais, os irmãos, os primos e os amigos.

O BOPE vigia ainda mais seis bairros nas zonas limítrofes da Rocinha, situada entre os pontos turísticos do Leblon e da Barra de Tijuca, e não tem ainda previsão para o fim das operações.

João Almeida Moreira