Saúde

"Fui muito apaparicado." Joel, sobrevivente de transplante de medula

Notícia do transplante publicada no Jornal de Notícias, a 27 de outubro de1987 © Direitos Reservados

É o mais antigo transplantado de medula óssea em Portugal. Tinha 3 anos. Hoje, tem 33 e um filho. Um dia, disseram-lhe que não seria possível.

Cerca de um terço dos transplantes de medula óssea realizados, todos os anos, no IPO de Lisboa é feito em crianças.

Joel Matos também era um menino, quando teve de passar por essa intervenção. Aos três anos, recebeu medula da irmã mais velha, única saída para uma doença rara: aplasia medular, que impede ou dificulta a produção das células do sangue.

Desses tempos difíceis, a memória guardou pouco ou nada. Apenas o que os pais lhe contaram. E a forma como o "estragaram com mimos" no IPO.

Hoje, vive em Aveiro, é serralheiro de profissão e tem 33 anos. É pai de um menino de seis. Cedo se convenceu que não poderia ter filhos, por causa dos efeitos da quimioterapia.

Mas a vida trocou as voltas à ciência. Uma surpresa para os médicos, um "choque" para ele próprio, cedo ultrapassado pelas evidências. "É a minha cara chapada, foi quase clonado", afirma o pai Joel, sorriso estampado no rosto.

A história de Joel Matos é uma das 30 contadas no livro "30 anos, 30 histórias", que o IPO lança para assinalar os 30 anos da Unidade de Transplantes de Medula Óssea. Os textos são de Sofia Barrocas; as fotos, de Rodrigo Cabrita.

Guilhermina Sousa