Economia

PS quer proibir "cobradores do fraque"

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Os socialistas pretendem impedir práticas agressivas na cobrança de dívidas. A proposta é debatida esta quinta-feira.

Os deputados debatem esta quinta-feira, no parlamento, o projeto do Partido Socialista (PS) para regular a cobrança extrajudicial de créditos vencidos.

O objetivo da proposta é dar resposta às queixas de várias cidadãos e impedir práticas mais agressivas dos chamados "cobradores do fraque". Entre outras medidas, o projeto de lei dos socialistas pretende criar normas de acesso à atividade, por exemplo, por via da exigência de "regras de idoneidade" aos cobradores.

Pedro Delgado Alves, deputado do PS e primeiro subscritor do diploma, entende que é preciso balizar a atividade. O deputado explica que na proposta "é definido tudo aquilo que não pode ser feito, proibindo efetivamente o cobrador do fraque".

A regulamentação das cobranças é a base da proposta socialista: ""Regras sobre onde podem as pessoas ser contactadas e a que horas, a obrigar ao registo das conversas telefónicas, a existência de um livro de reclamações - um local aberto ao público onde as pessoas se possam queixar,...", enunciou Pedro Delgado Alves.

O PS quer atingir um consenso sobre a matéria mas, para já, diz Pedro Delgado Alves, nas várias bancadas ainda há visões diferentes sobre o assunto. Há quem queira proibir totalmente a atividade dos "cobradores do fraque" e há quem considere que se trata de uma atividade que não funciona à margem da lei, uma vez que não está regulamentada.

Os socialistas afirmam-se dispostos a prolongar a discussão na especialidade e recolher contributos de outros partidos.

A Ordem dos Advogados e a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução já se manifestaram contra a proposta, já que rejeitam a legalização de particulares ou empresas para desenvolver este tipo de atividades.

Já a Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Créditos (APERC) saúdou a iniciativa do PS. O presidente da associação, Miguel Rebelo, considera que se trata de "um passo importante" para regular uma atividade que tem estado "num limbo".

Notícia atualizada às 10h00, com reação da APERC

João Alexandre