Saúde

Comissão para Lei de Bases da Saúde propõe limitar taxas moderadoras

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A equipa nomeada pelo primeiro-ministro para rever a Lei de Bases da Saúde apresenta a primeira versão do texto. Proposta passa também por "maior cooperação" com instituições de saúde privadas.

A comissão liderada por Maria de Belém Roseira garante que as ideias do fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), António Arnaut, e de João Semedo - expostas no livro "Salvar o SNS", no final de 2017 - foram tidas em conta na proposta para a revisão da Lei de Bases da Saúde, apresentada esta terça-feira.

A comissão garante que o texto (de 40 páginas) não pretende ser uma lei de bases dos hospitais, mas, sim, uma lei para promover a saúde e prevenir a doença.

Maria de Belém sublinha a necessidade de uma maior proximidade com as autarquias e de cooperação com instituições sociais e privadas. "O setor da economia social e o setor privado podem ser prestadores públicos, quando articulam com o Serviço Nacional de Saúde para fazer aquilo que ele não pode fazer", defendeu a antiga ministra da Saúde.

A proposta para a Lei de Bases prevê também que sejam estabelecidos limites ao valor pago anualmente pelos utentes em taxas moderadoras.

Quanto aos profissionais de saúde, com a nova proposta, não poderão acumular funções em estabelecimentos de saúde privados, se daí resultarem prejuízos para o Serviço Nacional de Saúde. Estão ainda previstos incentivos e remunerações com base no mérito e na avaliação de desempenho dos profissionais.

O texto da comissão reconhece também o estatuto do cuidador informal e define princípios gerais nas áreas da saúde mental, ocupacional, genética humana e literacia, reconhecendo a importância da investigação cientifica.

A proposta irá agora ser discutida com os agentes do setor. Ao longo do verão, o texto estará em consulta pública. A versão final será apresentada ao Governo, em setembro.

Rui Silva com Rita Carvalho Pereira