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"Já não podemos contar com os Estados Unidos"

epa06900003 German Chancellor Angela Merkel gestures during her annual press conference at 'Bundespressekonferenz' in Berlin, Germany, 20 July 2018. The traditional media briefing usually takes place during summer time. EPA/CLEMENS BILAN Clemens Bilan/EPA

Angela Merkel considera que a Europa deve preparar-se para uma nova realidade e não esperar que os EUA imponham a ordem mundial.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou, esta sexta-feira, que estava certo quando, há um ano, previu que a Europa já não poderia contar com os Estados Unidos da América (EUA) para impor a ordem no mundo e que devia assumir o comando dos assuntos que lhe são próximos.

"Não podemos contar com os Estados Unidos como superpotência", disse Angela Merkel, em conferência de imprensa, em Berlim.

A chanceler disse ainda que entendia o facto de os EUA defenderem que o continente europeu tem de ter um papel mais ativo na defesa dos problemas globais - principalmente quanto às migrações ilegais que, segundo Merkel, só podem ser resolvidas se os diferentes países europeus agirem unidos.

Sobre o recente encontro entre os presidentes norte-americano e russo, Angela Merkel manifestou-se satisfeita com a retomada das reuniões, considerando positivo que Donald Trump convide Vladimir Putin a visitar os EUA.

"Alegro-me com cada encontro (...) em que exista diálogo e, em particular entre esses dois países. É bom para todo o mundo. O facto de nenhum Presidente russo ter visitado os Estados Unidos da América desde 2005, penso que não deve ser a normalidade", declarou.

A Rússia mostrou-se recetiva a uma nova cimeira com os EUA, proposta por Donald Trump no Twitter.

"A cimeira com a Rússia foi um grande êxito (...). Estou desejoso [de realizar] o nosso segundo encontro para que possamos começar a aplicar algumas das muitas coisas discutidas", escreveu Trump na quinta-feira.

Também Vladimir Putin reiterou que a cimeira foi um "sucesso" e que o encontro iniciou o caminho para uma mudança positiva.

O embaixador russo nos Estados Unidos, declarou hoje que a Rússia está pronta para discutir uma possível visita de Putin a Washington.

Rita Carvalho Pereira com Lusa