Apresentações Auto

Vento quente de Palmela

Novo Scirocco chega em Setembro.

Versão 1.4 TSI 122 cv abaixo dos 25 mil euros.

Depois de ter recuperado, sem grande sucesso comercial, as formas do Carocha (Beetle), a Volkswagen decidiu agora reeditar apenas o conceito – prazer acessível – esquecendo os traços de uma história que começou em 1974.

No novo Scirocco, nome de vento (siroco) que sopra quente vindo do deserto do Sara, a VW não arriscou um centímetro sequer de nostalgia, apostando em linhas agressivas e musculadas, sobretudo na traseira. Na frente, revelam-se as linhas mestras que deverão marcar a próxima vaga de desenho dos modelos do construtor de Wolfsburgo: grelha minimalista, capot mergulhante, e ópticas rasgadas.

Entrando no Scirocco, o arrojo estético fica lá fora. O interior usa materiais e soluções emprestadas do Eos e do Golf. Em nome da economia de escala, quase todos os painéis transitam do descapotável também produzido na Autoeuropa, enquanto que o tablier e os principais comandos são decalcados da quinta geração do Golf. Esta mistura garante qualidade quanto baste nos materiais e na montagem, salvo alguns plásticos rígidos e mais expostos a riscos, como as pegas das portas, por exemplo. Fica garantido algum requinte, mas falta chama e emoção, num ambiente demasiado tristonho e sóbrio para as ambições desportivas do Scirocco.

Num desportivo, convém mimar o condutor, e é isso que o Scirocco faz, com uma posição de condução baixa, próxima da estrada, um bom enquadramento com o volante e a caixa, e onde apenas destoa a colocação dos pedais, demasiado chegados para a direita.

O habitáculo arruma 4 adultos, sem problemas, em bancos individuais. À frente, o ambiente é envolvente, desportivo, mas quem não goste do estilo «casulo» pode queixar-se de alguma claustrofobia, devido à linha de cintura subida. Nos dois lugares traseiros, há espaço de sobra para as pernas, bom suporte lateral, mas a altura pode ser um problema.

Para um desportivo, o Scirocco oferece um interior relativamente prático, com alguns espaços de arrumação, mas a bagageira sofre com as imposições do design. 290 litros de capacidade é pouco mais do que, por exemplo, a bagageira de um VW Polo.

Esta terceira geração do pequeno desportivo da VW assenta na mesma plataforma que serve o Golf GTI, mantém a distância entre eixos, mas ganha em largura de vias e perde em altura. Resultado: centro de gravidade mais baixo, e aspecto de quem curva sem medo, colado à estrada. Neste aspecto, as aparências não desiludem.

No curto contacto que a TSF teve com a versão 1.4 TSI de 160 cv, em cidade, auto-estrada e nas enroladas estradas da Arrábida, o Scirocco nunca perdeu a compostura, apesar das provocações. Fácil de conduzir em ambiente urbano, onde o único senão é a fraca visibilidade traseira, o Scirocco deixa-se levar com grande estabilidade por curvas rápidas, em auto-estrada, mas ganha vida e «joga em casa» em percursos mais tortuosos. É aí que se nota o trabalho dos técnicos da VW, com o baixo centro de gravidade a dar direito a velocidades de passagem em curva surpreendentes.

Quanto ao 1.4 TSI (injecção directa e compressor volumétrico e turbocompressor), nesta versão de 160 cv, é também uma surpresa. Quem não souber, nem sequer desconfia que está ao volante de um 1.400 cc. O motor ganha corpo cedo, com um binário máximo de 240 Nm estável entra as 1500 e as 4500 rpm, e permite recuperações de velocidade bem interessantes com consumos relativamente comedidos, assim haja bom senso no pé direito.

A marca alemã anuncia, para o 1.4 TSI, uma velocidade máxima de 218 km/h, 8 segundos para acelerar até aos 100 km/h, e um consumo médio de 6,6 l/100km. Ainda segundo os dados oficiais da VW, o 2.0 TSI de 200 cv pode atingir os 235 km/h, demora 7,2 segundos para chegar aos 100 km/h, e consome uma média de 7,7 litros em cada 100 km.

O Scirocco chega a Portugal em meados de Setembro, com dois motores a gasolina. O 1.4 TSI de 160 cv, proposto por 32.000€ e o 2.0 TSI de 200 cv, que há-de valer cerca de 43.000€ (preços estimados). Até final do ano, há-de chegar um diesel, o conhecido 2.0 TDI de 140 cv, e uma versão mais tranquila do 1.4 TSI, com 122 cv, que a VW vai vender abaixo da barreira dos 25 mil euros, mais precisamente, por 24.500€.

Paulo Tavares