Sociedade

"Não apareceu ninguém, ardeu tudo". O lamento de quem perdeu tudo

Rafael Marchante/Reuters

Várias casas destruídas, animais mortos é o balanço que se começa a fazer em Monchique.

No caminho entre Monchique e Alferce vê-se bem a destruição causada pelo incêndio. Está tudo ardido de um lado e outro da estrada, postes de eletricidade, placas indicativas do caminho, candeeiros de iluminação pública retorcidos com o calor do fogo.

No sítio da Malhada Quente, Márcio Oliveira, que tem um restaurante na zona, vai enumerando as casas destruídas que consegue contar. "Uma que é do Zé António, e outra que é do Berto. Aqui está uma de primeira habitação e ali mais duas."

Mais à frente, já na freguesia de Alferce, Maria Fernanda lamenta não ter chegado nenhum auxílio quando o fogo apareceu." Não apareceu ninguém, ninguém e às pessoas ardeu tudo".

A população de Monchique está bem recordada do fogo de 2003 que destruiu 45 mil hectares, quase a totalidade do concelho.

Márcio Oliveira salienta que se recusou a sair quando a GNR o quis retirar do restaurante e assim conseguiu salvar os seus pertences." Bombeiros, zero, nem um", lamenta.

" Os animais arderam todos, eram galinhas, patos, perus, pavões, só se salvou uma cadela e dois patos". Há notícia de muitos animais mortos neste fogo que continua a lavrar ainda na zona das Caldas de Monchique, no caminho para S. Marcos da Serra, já no concelho de Silves e agora também numa das encostas para o Alto da Fóia.

O fumo é muito, cai cinza do céu e o ar está cada vez mais irrespirável.

Maria Augusta Casaca