Economia

Pedro Duarte: "Parece que é crime" gerar riqueza em Portugal

Leonardo Negrão / Global Imagens

Apesar das divergências com Rui Rio, o antigo presidente da JSD critica o "desporto nacional" em que se terão transformado as críticas ao líder do partido.

Pedro Duarte, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, defende que a ideia de Rui Rio para combater a especulação imobiliária - em resposta à proposta do Bloco de Esquerda - não choca a generalidade dos portugueses. No entanto, o antigo presidente da JSD nota falta de clareza na mensagem do líder social-democrata e aponta como pano de fundo um desdém da sociedade portuguesa face a quem gera dinheiro com negócios.

"A ideia que [Rui Rio] eventualmente passou - e espero que errada, que tenha sido uma má interpretação de todos nós -, é que vamos penalizar, castigar a especulação porque há gente que está a ganhar muito dinheiro com isso, o que me parece profundamente errado", critica Pedro Duarte, que desafiou este verão a liderança do presidente do PSD.

"Quando vemos alguém ter sucesso, a gerar riqueza, parece que é crime, que se está a ofender alguém e não podemos deixar que alguém ganhe dinheiro e gere riqueza e negócio à volta disso, porque isso vai penalizar alguém", lamenta Pedro Duarte. O antigo deputado social-democrata entende que os negócios imobiliários estão a contribuir para mais emprego e mais benefícios sociais, dinamizando as cidades.

"Eu sou um profundo admirador, quase obsessivo, das características e da cultura portuguesa, temos características fantásticas - e é por isso que eu acredito muito no futuro deste país -, mas nós também temos algumas características que se calhar não são as melhores", afirma.

Criticar Rui Rio, um desporto nacional

Nesta entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o candidato à liderança do PSD afirma que algumas críticas que se fazem a Rui Rio são exageradas, sublinhando que as posições que tem assumido têm sido mal interpretadas.

"É quase hoje um desporto nacional criticar a performance, o desempenho do líder do PSD e eu não alinho nisso", garante Pedro Duarte. "A divergência é estratégica, não tem que ver com pessoas, tem que ver com a opção do atual presidente do PSD de apoiar no essencial a governação socialista e de não afirmar uma alternativa ao país".

Vítor Rodrigues Oliveira