Vinha a notar-se há algum tempo, mas 2001 pode muito bem ter sido o ano do princípio do fim da Internet de conteúdos gratuitos.
O principal indício vem dos conteúdos pagos que, em 2001, tiveram o seu arranque a sério em Portugal, através do grupo Lusomundo, com a edição online do Jornal do Fundão e do site infantil Ilha das Descobertas e da ainda da Digito, com um artigo especial de fim de ano, que estamos neste momento a citar.
Nos Estados Unidos, apesar de um estudo recente ter revelado que a maioria dos cibernautas ainda não está disposto a pagar por conteúdos on-line (só 12 % concordaram pagar), a modalidade tem ganho alguns adeptos. É o caso do site noticioso americano Salon.com (http://www.salon.com), que em Abril adoptou uma subscrição anual de 30 dólares (aproximadamente 32 Euros) que dá acesso a conteúdos sem publicidade.
Em Portugal, para além dos já citados casos da Digito e Lusomundo, outras empresas anunciaram projectos semelhantes, que deverão arrancar este ano de 2002. É o caso do arquivo pago da Lusa, disponível na Internet, e dos projectos de conteúdos pagos do Público e do grupo Impresa, através do semanário Expresso.
Talvez o maior passo em direcção aos conteúdos pagos tenha sido dado na área da música digital. Os efeitos do encerramento do Napster (www.napster.com), na sequência do processo judicial movido pelos gigantes da indústria discográfica, sentiram-se ao longo de todo o ano.
O anúncio de novos serviços de música online pagos, explorados por algumas das maiores editoras discográficas, poderão prever o fim dos MP3 de borla. Ainda há sites de troca de ficheiros MP3, mas as acções judiciais não param.
As coisas ainda poderão levar uma volta através das investigações aos gigantes da indústria discográfica por parte das autoridades anti-trust americanas, mas a verdade é que o primeiro serviço pago, o MusicNet (resultante de uma parceria entre AOL Time Warner, Bertelsmann, EMI Group e RealNetworks), já está disponível desde o início de Dezembro e, nos primeiros meses de 2002, será a vez de chegar a versão paga do Napster. O Pressplay, uma colaboração entre a Sony Music Entertainment e a Vivendi Universal, está também para muito breve com um serviço semelhante.
Será que em 2002 o belo ciberespaço vai passar a ter mais portas que só se abrirão com dinheiro ? Afinal a Web já fez dez anos e na lógica de mercado reinante, quem quer paga, quem não tem com quê não vê. Depois não se queixem dos info-excluídos.