O ministro das Finanças declarou que o Governo optou pelo aluguer de imóveis do Estado, uma medida vetada por Bruxelas, porque os dois consórcios bancários escolhidos para a operação inicialmente prevista, que era de venda, tentaram renegociar o contrato.
Em declarações publicadas na edição desta terça-feira do Diário Económico, Bagão Félix explicou que os consórcios bancários, liderados pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e BPI, tentaram renegociar o contrato, levando o Governo, já em gestão, a optar pelo modelo de aluguer de património do Estado.
Segundo o jornal, a ´yeld´ negociada pelos consórcios - o rendimento anual ao longo do contrato tendo em conta a inflação - estava fixada em 6,5 por cento brutos e os bancos, após estalar a crise política, tentaram renegociar um aumento para 7,5 por cento.
«Desde a dissolução do Governo, os consórcios vencedores, invocando o risco político, tentaram renegociar as condições do contrato de venda. Aceitar isso seria ir contra o interesse nacional», afirmou Bagão Félix ao DE.
O negócio de venda do património - uma receita extraordinária considerada essencial para que Portugal cumpra os limites ao défice das contas públicas estabelecidas no Pacto de Estabilidade e Convergência, 3,0 por cento - foi assim inviabilizado e transformado numa operação de aluguer.
Esta estratégia de aluguer foi segunda-feira «chumbada» pelo Eurostat, o que poderá elevar o défice público para os 3,7 por cento do PIB em 2004, de acordo com o Diário Económico.