Em 2001 é provável que o sector da Nova Economia continue o seu processo de purificação, pelo que os sectores tradicionais se apresentam ainda como alternativas, na sequência dos bons resultados em 2000.
Finalmente eis-nos chegados ao tão anunciado novo milénio, que, em termos de Mercado de Capitais, terá hoje o seu primeiro dia de transacções.
Apesar de já ter sido suficientemente apregoado quão «Annus Horribilis» foi 2000 para as Bolsas Internacionais, justifica-se ainda um pequeno balanço para perspectivar o novo ano.
As quedas foram quase generalizadas, ressaltando apenas duas excepções na União Europeia, a Irlanda e a Itália, no outro lado do Atlântico apenas o Canadá, sendo que a Oriente só a China, novata nestas coisas, registou o crescimento invulgar de 140 por cento.
Em Portugal o PSI-20 desceu 13 por cento enquanto o BVL-30 (agora baptizado de PSI-30) cerca de 11por cento.
Como era esperado, as grandes perdas registaram-se nas empresas da chamada «Nova Economia» que, após arranques fabulosos nos anos anteriores, se confrontaram em 2000 com grandes interrogações por parte dos investidores sobre a existência de negócio suficiente e lucrativo para tanto capital arrecadado no mercado de capitais.
Em Portugal, 12 das empresas que integram o PSI-30 apresentaram resultados positivos, pertencendo, sem surpresa, 10 à velha economia.
As excepções são a PARAREDE e a NOVABASE. A primeira que chegou a valorizar cerca de 500 por cento no início do ano mas que se encontra em queda acelerada, tendo encerrado a ganhar 11por cento, mas apresentando um futuro preocupante.
A segunda, a NOVABASE, salvação das «tecnológicas» que valorizou 50 por cento e que inicia o novo ano com a prenda de passar a integrar hoje a elite do PSI-20.
Quanto às estrelas de 2000, a SOMAGUE foi o Zé Maria da nossa Bolsa com 75 por cento de valorização, a Suzana chamou-se CIMPOR com 61por cento, a SOPORCEL com 38 por cento e a BRISA com 25 por cento. As restantes no positivo foram a EFACEC, TEIXEIRA DUARTE, SEMAPA, PORTUCEL, BCP e EDP.
Apesar da queda generalizada tivemos uma boa dezena de empresas a merecer destaque pela positiva.
O ano de 2000 apresentou ainda alguns acontecimentos relevantes:
A autorização concedida ao Banco Santander que se tornou a primeira empresa estrangeira a ser admitida à cotação na Bolsa Portuguesa;
A criação da EURONEXT resultante da fusão das bolsas de Paris, Bruxelas e Roterdão, com implicações para Portugal dado o início de negociações para uma eventual cooperação com a BVLP;
A continuação das privatizações da EDP e PT consumadas apesar de alguma controvérsia;
O anúncio do eventual arranque do Novo Mercado que permitirá uma nova alternativa de financiamento ao dispor de empresas e projectos sólidos.
Quanto a 2001, é provável que o sector da Nova Economia continue o seu processo de purificação, pelo que os sectores tradicionais se apresentam ainda como boas alternativas, na sequência dos bons resultados em 2000.
O plano de privatizações deverá prosseguir, estando previstas operações na CIMPOR, PORTUCEL e eventualmente na BRISA, TAP e ANA.
Significa que o sector dos cimentos e da pasta de papel deverão continuar a ser atractivos, a que se juntará o das construtoras, dado que as obras do PORTO 2001 e do EURO 2004 estão aí à porta.
Por último, importa relembrar que, apesar do ano menos bom que foi 2000, está provado e comprovado que, em particular, no médio e longo prazos, o investimento em acções é o que apresenta melhores rendibilidades.
* Analista Financeiro/Docente do ISEG/UTL