O Supremo Tribunal de Paris ordenou hoje a libertação, sob caução, de Jean-Christophe Mitterrand. O filho do ex-presidente continuará na prisão, porque não tem dinheiro para a caução.
O advogado de Jean-Christophe Mitterrand anunciou que o filho do ex-presidente francês «continuará na prisão, dado que não tem dinheiro para a caução», ou seja os 152 mil contos pedidos pelo Tribunal, que não precisou o prazo de entrega da verba.
A justiça acusa Mitterrand de ter recebido importantes somas
para permitir a conclusão - via sociedade de direito francês Brenco International e sem autorização das autoridades francesas - em 1993 e 1994, de contratos de venda de armas da ex-URSS, num montante global de 500 milhões de dólares, ao regime do presidente angolano José Eduardo dos Santos.
Jean-Christophe admitiu ter auferido uma remuneração de 13 milhões de francos, que depositou numa conta suíça, mas afirmou que a soma dizia respeito à troca de créditos bancários contra petróleo angolano.
A detenção e acusação de um empresário francês, Pierre
Falcone, dirigente da empresa Brenco International, implicado na venda de armas sem autorização em 1993 e 1994 ao regime angolano, pôs a nu, no início Dezembro, o caso Mitterrand.
Disquetes informáticas apreendidas em casa de Falcone
mostraram uma lista de pessoas e empresas remuneradas pela Brenco à margem de contratos de armamento.
Para além de Jean-Christophe, figuram Jacques Attali, antigo
conselheiro do ex-presidente Mitterrand, e um deputado de direita, Jean-Charles Marchiani, ligado ao antigo ministro do Interior néo-gaulista Charles Pasqua.