A palavra «Simão», redigida em grego e quase ilegível na fachada de um monumento funerário, levou dois arqueólogos a descobrir seis linhas anteriormente invisíveis de uma inscrição de um versículo de São Lucas.
Dada a raridade de achados arqueológicos que confirmam narrativas bíblicas ou se referem a figuras da Bíblia, esta é considerada a primeira descoberta de um versículo do Novo Testamento esculpido num antigo santuário da Terra Santa, segundo o perito Emile Puech, que decifrou a inscrição.
Já foram descobertas algumas frases do Velho Testamento em monumentos e uma passagem da carta de Paulo aos romanos está num pavimento de mosaicos na antiga cidade romana de Cesareia, em Israel.
A inscrição agora encontrada indica que o monumento de 18 metros de altura é o túmulo de Simão, um judeu devoto que Bíblia diz ter reconhecido o Messias quando viu o menino Jesus.
Encontrada também inscrição referente a Zacarias
No entanto, é improvável que Simão lá esteja enterrado, já que o monumento é um dos muitos construídos para a aristocracia de Jerusalém no tempo de Jesus.
Porém, a inscrição apoia o que até agora eram escassas referências a uma crença da era bizantina de que três figuras bíblicas - Simão, Zacarias e Tiago, o irmão de Jesus - estavam no mesmo túmulo. Além disso, foi encontrada na mesma fachada uma inscrição referente a Zacarias, pai de São João Baptista.
Puech e Joe Zias, um antropólogo físico, descobriram a inscrição de Simão através de uma técnica simples do séc. XIX, que consiste em espalhar pasta de papel forte misturada com cola ao longo de uma superfície. Neste momento esperam completar o trio com a descoberta de alguma inscrição referente a Tiago.
As inscrições de Simão e Zacarias foram esculpidas por volta do séc. IV, numa época em que os cristãos bizantinos procuravam na Terra Santa locais sagrados relacionados com a Bíblia.