Após 38 anos de censura, o Teatro Experimental do Porto (TEP) anunciou hoje a estreia, para 11 de Janeiro, da peça «Felizmente há luar!», de Luís de Sttau Monteiro, proibida em 1962.
Segundo a companhia de teatro, o TEP pediu em Outubro de 1962 para levar à cena «Felizmente há luar!», mas a Comissão de Exame e Classificação de Espectáculos do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo reprovou o projecto.
Para o grupo de teatro, «o regime de Salazar temia a importância de um texto que falava de liberdade e do desejo do povo em a obter».
O autor, Luís Sttau Monteiro acabou por ser preso e, no
Aljube, tomou conhecimento de que lhe fora atribuído o Grande
Prémio do Teatro, da Associação Portuguesa de Escritores.
Ironicamente, trinta e oito anos após a data em que a censura impediu o TEP de estrear a peça, «Felizmente há luar!» transforma-se no espectáculo número 184 da companhia residente no Porto.
Só depois do 25 de Abril foi possível a representação de obras de Sttau Monteiro, tendo particular relevo o espectáculo do Teatro D. Maria II, em Lisboa, estreado em 1978, com direcção do autor.
Com encenação de Norberto Barroca, que também assina a cenografia com Mário Dias Garcia, a peça tem desenho de luz de Eduardo Brandão e é interpretado por 12 actores.
Antes da estreia da peça será lançado o livro «Fernanda», uma homenagem de Ernesto Sampaio a Fernanda Alves, que foi actriz e encenadora no TEP nos anos 60. Falecida durante o passado ano, enquanto ensaiava o espectáculo «Barcas», Fernanda Alves foi ainda actriz residente do Teatro D. Maria II onde interpretou, em 1979, a personagem«Matilde» de «Felizmente há luar!».