O Maria Matos Teatro Municipal, em Lisboa, inicia dia 3 a «Operação Gil Vicente», para levar a obra do dramaturgo aos alunos do ensino secundário e universitário.
O Maria Matos Teatro Municipal, em Lisboa, inicia dia 3 a «Operação Gil Vicente», com o objectivo de «criar condições para um debate sobre o fenómeno artístico», disse o seu director Miguel Abreu.
Os alunos dos ensinos secundário e universitário são convidados a assistirem a dois espectáculos de Gil Vicente, «Auto da Barca do Inferno» e «Auto da Índia».
A iniciativa passa a ter lugar todas as quarta, quintas e sextas-feiras, de Janeiro até Março. «Procura-se apresentar diferentes abordagens que os artistas vão fazer dos dois autos vicentinos», esclarece Miguel Abreu.
Será também apresentada na peça «As Barcas - Viagens de vida e de morte» com encenação de Miguel Abreu e dramaturgia de Helena Reis Silva.
Nesta «operação» é também inserida a apresentação do «Auto da Barca do Inferno» pela ACAE que habitualmente é apresentado naquele palco às quartas-feiras, e que tem sido «um exemplo de sucesso».
Em 1999, 8100 alunos assistiram à peça que conta com encenação de Alina Vaz e Alberto Vilar. Miguel Abreu salienta o facto de esta iniciativa «mostrar desde o mais tradicional até ao mais contemporâneo».
O «Auto da Índia», numa versão cénica de Mário Trigo, encerra este «pacote vicentino». «Trata-se de um espectáculo que já esteve em cena no Maria Matos com sucesso», frisa Miguel Abreu.
Dossier vicentino
Além dos três espectáculos o Teatro preparou um «dossier» sobre as peças e o dramaturgo de molde a facilitar a preparação das aulas «e criar a interactividade entre a escola e o teatro».
O Teatro de Gil Vicente é uma das unidades do programa de ensino da disciplina de Português para o 9º ano e o 10º ano, áreas de Humanidades.
De Gil Vicente pouco se sabe em concreto. Desconhece-se o local e a data exactos do nascimento e morte, deduzem os historiados ter nascido por volta de 1465 e falecido perto de 1537.
Alguns documentos apresentam-no como ourives da Corte, tendo-se especulado até ser ele o autor da peça de ourivesaria Custódia de Belém. Sabe-se que a 8 de Junho de 1502 representou um «Monólogo do Vaqueiro» ou «Auto da Visitação» à Rainha D. Leonor por altura do nascimento do primeiro filho de D. Manuel.
Gil Vicente é considerado o pai do teatro português. Entre 1502 a 1536, Gil Vicente produziu mais de quarenta peças de teatro, chegando a publicar em vida algumas delas. Colaborou no «Cancioneiro Geral» de Garcia de Resende. Só em 1562
é que o seu filho publicou toda a sua obra com o título «Compilação de todas obras de Gil Vicente», repartida em cinco livros.