O ano de 2001 mostrava-se auspícioso para a moeda única. Os analistas esperavam uma forte valorização em relação ao dólar, mas aconteceu o contrário. A moeda bateu mínimos e não conseguiu voltar aos máximos do ano.
Com o euro a tornar-se uma realidade para 300 milhões de pessoas, a sua prestação não foi das melhores em 2001.
A moeda única ainda começou o ano a dar sinais de força, com muitos analistas a acreditar numa paridade com o dólar, no final do ano.
No entanto, as esperanças desvaneceram-se quando, depois de atingir o máximo de 0,9595 dólares, no início de Janeiro, desceu ao mínimo de 0,8370 no início de Julho.
FED vs BCE
Analistas, atribuem a desvalorização do euro à fraca comparação entre a política monetária agressiva da Reserva Federal (FED) norte-americana e a menos energética política do Banco Central Europeu (BCE), centrado no tecto de dois por cento para a inflação da Zona Euro.
Com o crescimento da Zona Euro e dos Estados Unidos a abrandar, os investidores acreditaram que a política da FED iria travar o abrandamento económico e ajudar a um novo crescimento. E com os mercados de olhos postos no crescimento da economia, o corte nas taxas de juro, que geralmente enfraquece a moeda, acabou por impulsionar, ainda que temporariamente, o dólar.
Em contrataste, as decisões do BCE eram imprevisíveis. O organismo não publicava as actas das reuniões, ao contrário da FED e do Banco de Inglaterra, enquanto que declarações contraditórias de responsáveis do banco central confundiam os mercados.
Os investidores acreditavam que o BCE estaria a centrar atenções no «cavalo errado» - a inflação - enquanto que os mercados estavam mais preocupados com o crescimento económico.
Com resultado, o euro foi desvalorizando, uma queda que se acentuou quando o BCE baixa as taxas em Maio.
No Verão, a moeda única consegue recuperar terrenos depois de, em Julho, descer ao mínimo de 0,8370, subido quase nove por cento em relação ao dólar, atingindo os 0,92 dólares em Agosto.
O facto animou a especulação de que o euro estaria a fortalecer em relação ao dólar, mas a verdade era que a moeda única estava a beneficiar de um Verão com pouca liquidez no mercado norte-americano. Quando a actividade retoma, em Setembro, o euro começa, de novo, a descer. E eis que acontece o 11 de Setembro!
Crescimento é a chave
Os ataques terroristas ofereceram uma nova oportunidade de recuperação da moeda da Eurolândia, mas foi sol de pouca dura. A subida não era sustentada e assim que os investidores passaram, de novo, a centrar atenções nas previsões para o crescimento económico global, os Estados Unidos estavam na linha da frente, acompanhados pelo dólar.
A teoria também ganhou alguma credibilidade na Europa, onde a Alemanha, a maior economia europeia, continuava a registar um mau ano económico, à beira da recessão, arrastando com ela outros países do continente. E o euro ressentiu-se.
Futuro do Euro
Com a entrada em vigor da moeda única, os analistas continuam divididos sobre as implicações dos acontecimentos no valor da moeda. Uns defendem que a procura vai ajudar à valorização da moeda, outros acreditam que as preocupações em torno da introdução da moeda possam pesar sobre o seu valor.
«Apesar de muitas moedas poderem ser convertidas para dólares, é possível que, no primeiro trimestre, possa haver uma grande procura pelos euros, simplesmente porque as pessoas não os têm.», avança um analista ao Financial Times.
Uma hipótese que, com certeza, agradaria ao Banco Central Europeu.
O certo é que o euro é um rival do dólar mas ainda precisa de dar provas antes de assumir o papel.